sexta-feira, junho 29, 2007

A Festa de S. Pedro...e um Aniversário



O fogo de artifício que ouvimos vindo da ribeira vizinha faz-me lembrar que foi nesta noite de festa há 4 anos atrás que fomos acordados às 5h45 com um grande estrondo. Vestimo-nos apressadamente e chegámos à rua para ver o nosso carro de lado depois de ter sido batido e jogado contra um poste de luz. O condutor já tinha fugido, pois passou a noite a festejar na festa na freguesia de São Pedro ao lado, e perdeu o controlo na curva. Felizmente para ele, saiu ileso; felizmente para nós, foi encontrado dois dias depois e fez participação nos seguros. Nunca mais andámos naquele Opel.


quinta-feira, maio 17, 2007

Já faz algum tempo...

Já faz umas três semanas que não tive oportunidade de pôr nada no blog. Não é que não tenha nada para acrescentar aqui, mas simplesmente tenho tido tanto trabalho que não houve tempo. As traduções, junto com trabalho extra no consulado, ocuparam todo o tempo em que não estava envolvido em algum trabalho da igreja. Devo confesso que no Domingo passado, senti que estava no limite. Graças a Deus, Ele me deu força para o resto do último culto, e desde então tenho tido oportunidade para descansar um pouco mais. Praticamente, estou em dia com traduções, mas no consulado, não haverá nenhum alívio antes do dia 28. Vem muita gente importante relacionado com o governo, o que já está a ocupar-nos com muito trabalho há semanas. A partir de 3ª-feira, vai ser de manhã à noite até 2ª ou 3ª da outra semana.

Nas últimas semanas, mais uma pessoa se apresentou para o baptismo. Lúcia vive no lado norte da ilha e a vinda até o Funchal para assistir aos cultos é uma boa distância, mas está firme na sua fé. Já há dois candidatos para o baptismo, e oramos por outros para que tomem o mesmo passo.

Obrigado a todos que passam por aqui para saber notícias. As suas orações são tão importantes para nós e a obra. Logo que puder, estarei de volta com mais informações e coisas que eu acho interessantes.

quarta-feira, abril 25, 2007

Primeiro ao judeu...

...e também ao grego. (Romanos 1:16)

Há muito poucos judeus na Madeira para evangelizar. Chegámos a conhecer alguns, mas somente um daqueles que conhecemos ainda vive cá. Em tempos havia uma sinagoga (hoje com rés-do-chão ocupado por uma lavandaria), e a Estrela de David ainda existe no padrão dos vidros da janela do último andar.

Também, não há muitos gregos. (Nenhum que nós conhecemos.) Uns dois meses atrás, porém, um artigo no jornal indicava um aumento significativo na população de gregos na ilha: 7 tripulantes de um navio que passava ao largo da Madeira foram presos quando 1500 kilos de droga (cocaína? heroína? não me lembro) foram encontrados a bordo. A Madeia situa-se numa das rotas de narcóticos entre América do Sul e Europa, e fontes policiais dizem que a carga é transferida de um navio a outro no alto mar, de modo que os navios que chegam à Europa com a droga não são os mesmos que saíram da Ameríca do Sul com ela.

Há um mês atrás, um dos prisioneiros que assiste ao estudo bíblico semanal me deu um papel com três números para serem acrescentados à lista que actualizo quando reclusos saem da prisão ou outros querem juntar-se ao grupo. São os números convocados à reunião cada semana. Embora não fossem indicados os nomes dos três, fui informado que são gregos, e que não falam Inglês (e claro, nada de Português), embora um deles "fala um pouco de Espanhol".

Desde então, tenho levado comigo uma Bíblia em grego moderno e um Novo Testamento bi-lingue (grego do NT koiné/grego moderno). Esta semana Georgos apareceu na reunião, e deve ser aquele que "fala um pouco de Espanhol". O que conheço de grego moderno está limitado a umas poucas frases, mas pelo menos pude ajudá-lo encontrar as leituras bíblicas ao longo da lição--tal como tenho de ajudar os outros encontrar os textos nas suas Bíblias em Ucraniano, Russo, Inglês, e Português. Também há um argentino com uma Bíblia em Espanhol que não estava presente esta semana, por isso é normal haver 5 (agora 6) línguas diferentes na mesa. Comunicar até a mais elementar verdade espiritual a homens que representam um leque tão largo de culturas, línguas, e tradições religiosas é algo que só pode ser feito pela unção do Espírito Santo. Como ministro do evangelho, tal como Paulo, sou devedor de anunciar o evangelho de salvação a todos os povos, ao português, ao brasileiro, ao argentino, ao colombiano, ao nigeriano, ao russo, ao ucraniano, ...e também ao grego.

segunda-feira, abril 23, 2007

A Semana Que Foi, e A Que Talvez Venha Agora

Nesta parte do mundo, oficialmente já é 2ª-feira. Agora posso ir dormir. Ao esperar para depois de meia-noite, evito ir para a cama duas vezes no Domingo. Há 24 horas atrás, ainda ultimava as mensagens...e depois de estar fora de casa 12 horas, temos a sensação de ter cumprido um dia de trabalho cheio.

Nos dois cultos de manhã (Inglês) e de tarde (Português), fomos surpreendidos pela presença de famílias que não tinham estado nos cultos há 4 anos por aí, num caso, e 2 anos, no outro. Tudo indica que tencionam estar na igreja na próxima semana. Porque hoje? Não temos a mínima ideia. Deus tem meios de seguir os passos de pessoas e falar com elas, quando nem sequer sabemos onde estão!

Há várias coisas que tenho para colocar no blog, mas não vai ser hoje. A semana passada teve um pouco de tudo: uma visita surpresa pelo Cônsul-Geral de Lisboa, que ocupou um dia; canalização avariada no prédio onde está o consulado--mais um dia "perdido"; vários trabalhos de tradução que ocuparam todos os outros momentos até 6ª-feira à tarde; uma infecção de sinusite nómada...de um lado da cabeça passou ao outro, e depois voltou de novo ao ponto de partida. Tenho a impressão que está em trânsito outra vez.

Esta semana que entramos deve ser diferente: a canalização deve ficar bem mais algum tempo; não estou a ver o CG a voltar à Madeira esta semana. Mas...ainda restam as traduções e a sinusite, que terão de ser enfrentadas. Talvez a semana, afinal, não venha a ser tão diferente.

sábado, abril 14, 2007

Sou missionário, e hoje a minha missão foi...

Saímos de casa esta manhã às 10h00 com uma missão. Não é isso que missionários fazem? A minha missão hoje, porém, não tinha qualquer semelhança a uma lista preparada num curso de seminário. Logo após o pequeno almoço, juntei as caixas de ferramentas, verifiquei os materiais, e fiz uma lista de material em falta. A missão de hoje: 1) Ir até à casa de Kristjan e Andrea para substituir uma tomada eléctrica defeituosa, substituir dois candeeiros de tecto estragados com apliques modernos e eficientes, e configurar o router sem-fios ADSL que compraram há duas semanas, mas nunca conseguiram fazer funcionar com os computadores em casa. 2) No regresso, passar na igreja para afixar uma extremidade do letreiro que soltou durante os temporais recentes. Quando descobrimos o problema umas semanas atrás, eu não tinha ferramentas comigo, e subindo no muro consegui prender o letreiro provisoriamente com um pedaço de arame. E como teria as ferramentas comigo, aproveitaria para instalar uma cadeia de segurança numa das janelas em cima, onde damos Escola Dominical às crianças e onde funciona o bercário. A janela abre o suficiente para uma criança com corpo pequeno e juízo mais pequeno ainda deitar a cabeça, e não só, fora.

Abbie usou o tempo para conversar com Andrea sobre os planos para o bercário, que está a tornar-se cada vez mais necessário, devido aos bebes na igreja (mais ou menos 10 com menos de 3 anos), e planear o programa de música. Na igreja, ela preparou tudo para os cultos amanhã, para assegurar que tudo estava no lugar certo.

Doze horas mais tarde, chegámos em casa, todas as fases da missão de hoje cumpridas com sucesso. Agora, falta juntar as outras ferramentas para a missão de 12 horas amanhã: Bíblias em 4 línguas, anotações para três mensagens, e um sortido de material complementar, musical e outros. Afinal, somos missionários...todos os dias.

domingo, abril 01, 2007

Aquela Noite em Novembro

Por razões que não vale a pena citar aqui, as nossas experiências com co-operadores no campo missionário entre 1976 e 1985 foram traumáticas. Em duas ocasiões, famílias vieram especificamente com o propósito de ajudar-nos na obra, ... e abandonaram a Madeira depois de passar somente um ano aqui. ... o que aconteceu foi que deixei de pedir que Deus enviasse alguém para trabalhar connosco.... (mais...)

domingo, março 25, 2007

Um Telefonema de Londres...Uma Voz do Passado

Eles vão embora e raramente a gente tem notícias deles. Ao longo dos últimos 7 anos, deve ter havido perto de 200 reclusos e reclusas que assistiram aos estudos bíblicos semanais. Alguns, claro, só vêm uma ou outra vez; outros assistem fielmente durante um ano, dois anos, ou nalguns casos até mais, até completarem a sua sentença. Por serem estrangeiros, em 99% dos casos, a sua libertação é acompanhada de uma deportação imediata, portanto, quando saírem, não há despedidas...eles simplesmente não estão na reunião mais. Somente dois ou três alguma vez entraram em contacto comigo depois de estar no seu país, e esta semana houve uma dessas excepções.

Usher, natural de Jamaica e residente em Londres, foi libertado em Novembro. Eu já falei dele num "posting" no blog em Inglês. Ele foi o primeiro Rastafari com quem cheguei a falar, e até experimentei fazer o seu retrato. Não se pode levar uma máquina fotográfica dentro da prisão, e não havia tempo na reunião nem convinha mandá-lo ficar sentado como modelo enquanto desenhava, por isso, vinha para casa e procurava fazer o seu retrato de memória. Esta é uma das últimas tentativas, e devido a isso, talvez seja o mais parecido com Usher.

Porquê ele ligou? Ligou para dizer que estava de novo no seu apartamento que teve de deixar quando foi preso anos atrás. Ele agradeceu a Deus por isso. Ele disse que conseguiu voltar à sua antiga profissão de canalizador, e ele agradeceu a Deus por isso, também.

Ele ligou para dizer que nunca se esquecerá dos estudos bíblicos na prisão, e que ele lê a Bíblia todos os dias. Também disse que ora por mim e que nunca vai se esquecer de mim. (E nem eu jamais me esquecerei dele!)

E ligou para enviar saudações aos que ainda assistem os estudos. E a última coisa que queria dizer para mim: "Pastor, quando cantar outra vez na reunião na prisão, cante Amazing Grace para mim."

quinta-feira, março 08, 2007

Os Bons Velhos Tempos

Em muitos aspectos, os primeiros tempos da obra missionária aqui só são bons porque são velhos; graças a Deus, passaram. O meu plano é futuramente pôr aqui fotos e relatos sobre o começo da obra na Madeira, mas hoje deixo um "link" para um artigo que li esta semana na BPNews (um serviço da Convenção Baptista do Sul (Southern Baptist Convention)). O autor descreve como se fazia telefonemas e a dificuldade em receber encomendas nos correios; nós passámos por exactamente estas coisas. Hoje, estava a reflectir sobre o facto de todas as pessoas terem telemóveis e temos internet de banda larga em casa; tive uma sensação estranha ao tentar lembrar os primeiros anos aqui, quando pedimos uma linha telefónica em casa, e fomos obrigados a esperar cinco anos enquanto não foi construída uma nova central telefónica na nossa vila.

Pelas regras do site de BPNews, só posso dar um link em directo. Não vejo maneira de fazer uma tradução "legal" e colocar aqui. Se sabe ler Inglês, veja o artigo. It's worth your time.

One of the difficulties of serving as a missionary is battling the oppressive feeling that you are laboring alone, buried in obscurity and forgotten. The struggle is harder when you are serving in a country where the general population doesn't even want you to be there. It grows heavier when friends from home forget to write. The devil tempts you to believe that they have also forgotten to pray and that you are making no difference....more

domingo, março 04, 2007

Guardando Segredos


São cerca das 22h30 de Sexta-feira, e acabo de voltar à casa depois de me deslocar ao aeroporto receber uns visitantes à Ilha da Madeira. Um casal é o Embaixador dos EUA em Lisboa e a sua esposa; o casal que os acompanhou é o Governador do estado de Florida, Jeb Bush e a sua esposa. O Governador é irmão do Presidente Bush. O Gov. Bush esteve em Lisboa hoje para participar em conferências por convite do Embaixador Al Hoffman, que é de Florida, o que ajuda explicar a relação entre os dois homens.

Escrevo isto agora, mas só o coloco no blog depois de terem saído da ilha no Domingo de manhã. A visita é particular, e durante bem mais de um mês temos trabalhado para preparar as coisas deste lado para a sua breve estadia aqui, de modo que esta decorra o mais discretamente possível. Para fins de segurança (e privacidade, também), o conhecimento da viagem do Embaixador foi restrito ao número mínimo de pessoas (protecção policial, serviços de táxi, e alojamento), e a identidade dos seus convidados foi ainda mais bem guardada.

Veio-me à mente a vinda de Outra Pessoa que ocorrerá numa data indeterminada do futuro; pensei no contraste entre os preparativos para uma e outra visita. O propósito desta visita era que o mínimo de pessoas tivesse conhecimento da presença do Embaixador e o Governador Bush; Jesus, por outro lado, quer que nós contemos a todos que Ele vem. Quanto mais falarmos da Sua vinda, melhor será. "Todo o olho O verá," diz Apoc. 1:7. E todo o coração deve se preparar para esse encontro. Para a maioria das pessoas, a notícia da vinda de Jesus é um aviso; para nós que cremos n'Ele, a notícia é a nossa tão-esperada bem-aventurança. Em qualquer caso, não há nenhuma razão de manter-nos calados acerca da Sua vinda.

ÚLTIMA HORA: Domingo à noite...

Saímos de casa esta manhã às 9h00 e fomos directamente ao aeroporto, onde ficámos até depois do Gov. Bush e a sua esposa terem embarcado no jacto particular, que os levaria aos EUA em voo directo. O Embaixador e a sua esposa, acompanhados pelo seu assistente e o guarda-costas, retornaram à Lisboa num voo comercial às 11h30, mas nós seguimos para a igreja e não esperámos pela sua hora de embarque.

Coisas Bonitas

A beleza é um dos dons Deus deu ao Homem. A beleza toma muitas formas...na natureza, ela é a reflexão directa da criação, quando Deus viu que "estava bom"; ao homem, feito à imagem e semelhança divina, é dada o dom de criar coisas bonitas... desde a composição de beleza na música à criação de beleza nas artes plásticas: a pintura, a escultura, a arquitectura. Eis aqui algumas das coisa bonitas em nossa volta:


Sempre podemos começar com o nascer do sol todas as manhãs, agradecendo a Deus por cada novo dia. Sexta-feira, este foi o nascer do sol sobre o mar, visto da nossa casa.




Abbie recebeu este orquídea como oferta uns dois anos atrás. No ano passado, quando os botões apareceram, também apareceu um pequeno bicho que picou cada botão em busca da seiva, e não houve uma única flor que abriu. Este ano, Abbie estava prevenida e pôs um pesticida nos pequenos botões. Não sabemos se foi isso que fez a diferença; o que sabemos é que a planta está cheia de flores este ano.

Uma Prenda de Natal




Quando fui à prisão pela primeira vez após o Natal e Ano Novo, Mikhaylo ("Misha"), um dos três ucranianos no grupo me deu um cartão enrolado. Era um desenho em tinta feito por ele, mostrando Adão e Eva a serem expulsos do Jardim do Éden pelo anjo do Senhor. Mandei pôr em moldura preta e coloquei na nossa sala, que é decorada em preto e branco. O desenho mede 45cm x 50cm. A foto não mostra bem o trabalho minucioso com que o quadro foi feito. Nunca imaginei que Misha fosse um artista. Ainda lhe faltam 2 ou 3 anos pelo menos antes de sair; dos 3 ucranianos, ele tem a maior dificuldade em compreender e falar Português. Ore que, com tempo, ele chegue a compreender o significado da graça de Deus. Ele já tem uma ideia de quão destruidor é o pecado.

Embora, nem tudo em nossa volta seja bonita, damos graças a Deus pela beleza que vemos, e sabemos que um dia, "todas as coisas serão feitas novas."

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Fotos de casamento




Bem...tirei estas fotos quando estávamos em Houston para assistir ao casamento do meu sobrinho; talvez isso não seja suficiente para classificá-las de "fotos de casamento". Hoje não escrevo para dar notícias, mas simplesmente compartilhar umas fotos "macro" experimentais, para meditarmos na maravilha da criação de Deus nos detalhes delicados de penas. Faça um clique nas fotos para ampliá-las.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Mike -- Nas Suas Próprias Palavras

Quando escrevi sobre as reflexões em volta da nossa estadia nos EUA na semana passada, eu mencionei o nosso amigo e irmão, Pr. Mike Rogers, que soube que tem linfoma. Hoje recebemos a sua própria descrição da sua experiência e condição, tanto física, como psicológica, neste momento. A seguir, a minha tradução da sua mensagem:

Eu queria dar seguimento à notícia da linfoma. Desde a última vez que escrevi, estive duas vezes com o cirurgião que extraiu os nodos linfáticos. Estou a recuperar bem. Voltei ao trabalho 2 dias depois da intervenção. Também fiz um TAC e consultei um oncologista e o meu médico pessoal. O TAC confirmou a análise dos nodos feita pelo laboratório depois da cirurgia - o cancro está espalhado pelo sistema linfático e o baço está algo dilatado. Devo fazer outro TAC no fim de Abril para poder ter 2 pontos no tempo que permitirão fazer uma estimativa do crescimento do cancro e planear o tratamento.

Os médicos parecem querer optar pela implantação de um programa de "espera vigilante" por enquanto. O prognóstico está sempre incerto, porém, pensa-se que uma pessoa com a minha condição e na minha faixa etária deve esperar o mais tempo possível antes de iniciar a quimioterapia. Para várias razões: é óbvio que o meu cancro já não pode ser evitado e é sistémico (isto é, está espalhado pelo sistema linfático); este cancro é "indolente" (de crescimento lento); enquanto fizer sentido (enquanto me sentir mais ou menos bem e capaz de fazer a minha vida razoavelmente bem), os médicos querem ser os mais conservadores possíveis; querem guardar as opções o mais tempo possível; talvez novas drogas e melhores terapias serão descobertas nos próximos anos (pois a investigação e os estudos em todo o mundo estão a ser feitos com todo o empenho).

Geralmente, me sinto OK. Até agora, tenho continuado a trabalhar (os nossos patrões têm sido muito compreensivos e acomodativos). O meu plano para o futuro é continuar a fazer o que tenho feito até agora, fazer a vida da maneira mais normal possível em todos os aspectos. O oncologista me aconselhou continuar a usar o cinto de segurança no carro e para não começar a fumar, visto que devo ter mais alguns anos de vida pela frente. Em dado momento, serei informado que devo iniciar a quimioterapia (semanas? meses? anos?), o que, segundo os médicos, deveria colocar imediatamente o cancro em remissão, mas é raro haver uma cura real. Em vez disso, fala-se que o doente está "livre de cancro por X anos" ou que é "um sobrevivente de cancro por X anos."

Mais uma vez, obrigado a todos pelas vossas orações e palavras de amor e preocupação. Eu adoraria ser curado - se todos os meus amigos que têm cancro (e problemas semelhantes) pudessem ser curados ao mesmo tempo. Em especial, espero poder estar suficientemente livre de dor para poder estar em controlo de e responsável por meus próprios pensamentos e palavras até morrer. Tendo tempo e oportunidade, proponho meditar sobre questões teológicas e filosóficas, e escrever sobre assuntos que surgem do facto da vida não correr como se esperava ou planeava. Questões como: qual o propósito da vida, é Deus responsável pelas coisas más? o que é o julgamento de Deus, ou a Sua disciplina? as atitudes e emoções, o papel de ambivalência e dúvidas, etc.

Porém, ao contrário destes boletins médicos que envio sem pedir licença, somente enviarei estas estas escritas sobre minhas reflexões se pedir. Com amor, Mike Rogers



O e-mail de Mike é pilgrimmike@bresnan.net se quiser lhe enviar uma palavra de encorajamento e apoio. Ele e a sua esposa, Debbie, viveram no Brazil na sua juventude, e vão poder compreender qualquer mensagem enviada em Português. Responder em Português escrito talvez seja mais dificil para eles, mas sei que toda a manifestação de amor será bem recebido.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Avisos de Barriga (2): E o vencedor é....

Em seguimento ao que escrevi no Sábado, na véspera do referendo sobre o aborto realizado aqui em Portugal ontem, aqui estão os resultados (em números redondos), e que não são novidade para os leitores nacionais: 60% a favor da despenalização da Interrupção Voluntária de Gravidez (fica mais bonita assim do que dizer claramente que é um aborto à pedido da mãe) vs. 40% contra. Como as abstenções ficaram acima dos 50% (56% dos eleitores não compareceram), o referendo deixou de ter força vinculativa. O governo não é obrigado a emendar a lei.

MAS...o governo Socialista aproveita o momento, e vai mudar a lei...não porque tem de mudar, mas porque quer mudar (como muitos cidadãos também, evidentemente). Isso ilustra o ponto que tentava fazer na mensagem anterior: a nossa natureza pecaminosa nos leva a encontrar um meio de fazer o que sempre queríamos fazer, quaisquer que sejam as consequências mais nefastas, e mesmo reconhecendo-as. (Não é isso que fazem os fumadores? Compram cigarros com avisos tão grandes na carteira: "O FUMAR MATA".)

Nesta mesma linha de pensamento, veio um artigo no Diário de Notícias do Funchal ontem, que falava sobre uma das trupes que vai sair no cortejo de Carnaval este Sábado. O seu tema: "Vamo-nos divertir neste Inferno." Um dos figurantes será um diabo "travesti", e as cores do grupo foram escolhidas porque são "as cores do pecado". (Quem disse que vermelho, roxo e preto são cores do pecado?) A sua apresentação incluirá "citações da Bíblia", junto com ditados populares.

"Se o pecado não fosse tão sedutor, tentador e belo...nunca seria pecado nem íamos para o Inferno," dizem. O pensamento fundamental é que "nenhum homem, seja de que idade for, consegue resistir a uma mulher bonita." Para pôr em prova essa teoria, o nu feminino terá seu lugar na trupe, de acordo com o artigo.

Que triste ver pessoas a caminhar conscientemente direitinho para a destruição: "...porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade." 2 Tess. 2:10-12.

sábado, fevereiro 10, 2007

Avisos de Barriga

Não é que quando a gente precisa de algo, não consegue encontrá-lo? Já vi várias vezes uma foto nos jornais, e não encontro registo nenhum dela em todo o Internet. Por isso, vai esta em sua substituição:

(Foto: O Primeiro de Janeiro, Porto, 10 Fev 2007)

Na foto que procurava, as jovens manifestam-se com a barriga à vista, com as palavras, "Aqui mando eu". Amanhã, aqui em Portugal, os eleitores devem responder "sim" ou "não" à despenalização da IVG (Interrupção Voluntária de Gravidez) nas primeiras 10 semanas da gravidez. Um referendo semelhante nos anos 90 foi rejeitado, mas os jornais dizem que há boa probabilidade que passe desta vez.

Os dois lados têm apresentado seus argumentos na imprensa, na TV, e nas ruas. Um dos argumentos a favor é que as mulheres não vão precisar procurar abortos clandestinos, que provocam mortes e outras consequências nefastas nas mulheres. Só porque quer, nas primeiras 10 semanas, pode uma mulher pedir um aborto no hospital, sem perguntas, sem problemas. (Se eu compreender correctamente a situação.) Um outro argumento comum é aquele ilustrado acima: "É meu corpo (barriga), e sou eu que mando nele."

Ao meu ver, é isso justamente o cerne de todo o problema. Pondo de parte os argumentos médicos, legais, sociais, e psicológicos, "Aqui mando eu" exprime a essência do pecado humano e a rebelião da criatura contra a autoridade de Deus. Como cristãos, devemos antes escrever sobre as nossas barrigas (e todos os outros membros do corpo e sobre todas as áreas das nossas vidas), "Aqui manda Deus".

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Em Casa ... e reflexões sobre o tempo fora dela

São cerca de 8 horas da noite, e estamos em casa desde meio-dia, mais ou menos. Os efeitos secundários da nossa viagem nocturna estão a surgir agora, e mal consigo manter os olhos abertos. Na sala, Abbie está a tocar o piano---Estão recordados? Estar longe do piano foi a sua preocupação principal quando pensava em passar 6 semanas nos EUA---enquanto eu faço um esforço tremendo para ficar acordado mais algum tempo.

A viagem de Arkansas até Newark, e de lá para Lisboa e Madeira passou-se sem problemas (sem demoras, sem perda de ligações ou malas), mas não faltou um susto e outro em terra. Na vespera da viagem, lá pelas 22h00, liguei a Continental para confirmar as reservas para o primeiro voo de Arkansas às 10H30 do dia seguinte. Tudo bem...para Abbie: tudo confirmado até ao destino final. Quanto a mim, o nome e reserva não constavam no sistema! Durante quase 30 minutos, e enquanto não falámos com o 3º funcionário da Continental, surgiu-nos a hipótese de Abbie regressar sozinha, algo que nem ela, nem eu, encarávamos de bom grado. Finalmente, foi descoberta a minha reserva, e pelo menos até Newark eu tinha um lugar garantido. Fomos aconselhados a contactar a TAP para verificar a situação nos outros voos.

Experimentámos telefonar para TAP em Newark, mas a essa hora (quase meia-noite) os serviços da TAP já se encontravam encerrados. Só ouvimos mensagens gravadas. A única outra solução era ligar aos serviços da TAP em Lisboa, que só abrem às 8h00. Como estávamos em CST (GMT -6h), teríamos de esperar até às 2h00 para ligar. Joy e eu fomos dormir com despertadores ligados...conseguimos pouco mais de 1 hora de descanço antes de levantar às 2h00 e ligar para Lisboa e falar com uma pessoa de carne e sangue, que informou que estava tudo OK até à Madeira. Pude então deitar-me com a mente mais descansada, mas as poucas horas da noite que restavam antes de levantarmo-nos e seguir para o aeroporto não providenciaram muito descanço.

Foi em Newark que mais uma vez enfrentámos a confusão. A funcionária da TAP conseguiu colocar-nos em lugares juntos, o que de início não era o caso, mas depois de 15 minutos informou-nos que não podia nos dar o cartão de embarque de Lisboa para a Madeira "porque as malas só estavam encaminhadas para Lisboa!" Seria necessário levantar a bagagem, passar pela alfândega, e fazer um novo check-in em Lisboa. Eu tinha verificado junto do funcionário de Continental que as malas iriam seguir até ao destino final. E agora? Depois lembrei-me de mostrar as etiquetas comprovantes das malas que mostraram Madeira como o destino final. Corrigiram os dados no sistema, e deram-nos cartão de embarque para Madeira também. Eu já estava a prever a situação em Lisboa: procurar malas que nunca iam aparecer, porque seguiriam para Funchal, e depois tentar resolver o problema de bagagem "perdida" ao fazer o novo check-in em Lisboa. Afinal, tudo se compôs e chegámos em cima da hora prevista.

Reflectindo sobre as últimas 6 semanas


Família --

É impossível pensar nas semanas desde o Natal sem recordar experiências de família de um tipo ou outro: o Natal na companhia dos filhos e netos; Abbie e sua irmã a passar 10 dias em casa dos seus pais; 2 casamentos; inúmeras outras ocasiões. Eu com meu irmão e 2 irmãs...todos juntos...uma raridade durante os últimos 30 anos. Estivemos juntos em Agosto, e agora, de novo, no casamento do meu sobrinho. Além disso, pude rever a prima (a mais baixinha na foto), que tenho visto só uma ou duas vezes em mais de 40 anos.

Ao recordar estes momentos, mais uma vez dei graças a Deus pela família, e que tanto Abbie como eu temos famílias que gostam de estar juntos e se dão tão bem. Pensei naquelas pessoas que não têm este tipo de relacionamento familiar, e senti uma tristeza por essa perda deles.

O Superbowl --

Para aquelas pessoas no resto do mundo que não sabem o que é, o Superbowl é o jogo final do campeonato da liga profissional de futebol (americano, claro)...é o jogo pelo título de campeão...tipo Taça de Portugal. Joga-se num Domingo no final de Janeiro/princípio de Fevereiro, e é quase tão envolvente na cultura americana como Thanksgiving ou Natal. Não é feriado, mas o mês que antecede o jogo é tão cheio de reportagens e programas na TV, e a publicidade que o jogo gera (cada 30 segundos de publicidade na TV durante o jogo custaram 2,6 milhões de dólares às empresas) atraem audiências tão grandes, que igrejas cancelam os cultos de Domingo à tarde ou projectam o jogo na igreja, como programa para atrair famílias ou alcançar novos contactos. Pela primeira vez em mais de 30 anos, estávamos nos EUA no Domingo do Superbowl. É algo semelhante à febre gerada em volta do Mundial de Futebol em volta do mundo cada 4 anos. Torna-se um evento quase-religioso. Mas na verdade, é simplesmente mais um jogo. Pensei nas muitas pessoas que, por vários motivos, reconheciam que tudo isso não passa de mais uma vaidade... "Vaidade de vaidades..."

Meu amigo Mike --

Naquele fim de semana do Superbowl, quando estaríamos a experimentar toda essa emoção do grande jogo, recebemos a notícia que o nosso amigo desde a juventude, nosso querido irmão e colega no Senhor, Mike Rogers, fora informado que os testes confirmaram que ele tem linfoma não-Hodgkins folicular. A nossa igreja já está orando, e continuará a orar por ele e Debbie, que visitaram a Madeira uns 7 ou 8 anos atrás. Esta foto foi tirada há 2 anos, num dia de inverno no estado de Wyoming, onde moram.


Ao receber este tipo de notícia, como se muda a nossa perspectiva sobre a importância relativa de coisas e acontecimentos desta vida? Será que o resultado do jogo do Superbowl (ou qualquer outro desporto) realmente tem importância à luz da eternidade? Eu sei que Mike seria o último a dizer que este mundo que Deus criou não deve ser apreciado e gozado. Muitas vezes ele me enviou fotos de flores e outras cenas da natureza que tocaram a sua sensibilidade pela beleza da criação. Já inclui no blog uma foto que ele tirou, que pode ver aqui. Mike sempre pensou que todos os aspectos da vida podem e devem ser gozados debaixo da graça de Deus, até as corridas automóveis NASCAR. Concordo com ele, embora, para ser franco, as corridas NASCAR (ou semelhantes) não me atraem. O mundo em nossa volta está cheio de maravilhas e experiências que Deus quer que nós gozemos; são as notícias como estas sobre a doença de Mike que nos ajudam a manter essas experiências numa perspectiva sã.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Mais neve, mais um casamento

Na semana passada, escrevi sobre mais uma travessia do Atlântico...e a próxima é daqui uma semana. Já estamos com saudades da Madeira. Por um lado, quando há neve na Madeira, é só nos picos mais altos, e raramente cai mais do que alguns centímetros. Recebi fotos esta semana mostrando a primeira neve deste inverno. Para ter uma ideia:



Estas fotos foram tiradas no topo da ilha, a uma altitude de cerca de 1800 mt. A neve (em verdade, é geralmente granizo) pode cair três ou quatro vezes num inverno, e uma vez em cada dois anos, mais ou menos, pode atingir os 30 cm ou mais de profundidade. Mas ir para lá e tremer de frio é facultativo: sofre quem quer.


Compare isso com a neve (pois é, mais uma vez!) que caiu ontem e durante a noite. No fim do dia ainda caía uma coisinha de neve.




Por entre os carvalhos que não largaram as folhas, avista-se a bandeira americana a flutuar sobre o cemitério local, na hora em que a neve começava a cobrir o chão ontem.





Esta manhã, acordámos com esta vista da porta traseira da casa da Joy.











Aqui está Joy hoje de manhã, quando saiu para o trabalho vestida em função das temperaturas negativas que estamos a experimentar.
Só que não sei como ela trabalha no teclado do computador com aquelas luvas.






Mais uma travessia do Atlântico, mais neve, mais um casamento... Na semana passada estávamos em Tulsa para assistir ao casamento de um amigo; este Sábado, meu sobrinho Joshua vai casar-se perto de Houston. De acordo com os mapas de Yahoo, leva 9 horas para ir daqui de carro. Esperamos que quando pegamos a estrada amanhã, a neve e o gelo já não vão ser um problema nas autoestradas; de outra maneira, a previsão de 9 horas dada na Internet não vai significar nada.

domingo, janeiro 28, 2007

Mais uma travessia do Atlântico

Quando escrevi as últimas vezes, acabava de voltar para a Madeira para lidar com responsabilidades acrescidas: as de "doméstico", pois Abbie tinha ficado nos EUA para visitar Joy e Mark durante uma semana, seguido de mais uma semana e meia com os seus pais. Na 3ª-feira passada, dia 23, viajei novamente em direcção aos EUA. Devido a uma alteração nos voos, fui obrigado passar a noite de 3ª-feira em Newark, antes de seguir viagem para Arkansas na manhã de 4ª.

Joy e Mark estavam no aeroporto à minha espera e me emprestaram um dos seus carros para eu viajar 2 horas para buscar Abbie em casa dos seus pais. Depois de almoçar e fazer uma curta visita lá, Abbie e eu voltámos as 2 horas de caminho até à casa de Joy e Mark. Mas essa estadia só durou 2 noites.

Ontem, Abbie e eu viemos a Tulsa no estado de Oklahoma para passarmos duas noites e participar num casamento. Jay, que jogou basquetebol 3 ou 4 anos na Madeira, casou-se esta noite. Ele foi uma bencão para nós durante o tempo que estava na ilha, e antes de sair, chegou a dirigir o ministério com os jovens e ia comigo à prisão cada semana. O desporto profissional está no passado agora, pois tem sido ministro de jovens numa igreja de Tulsa nos últimos 3 anos ou mais. Casamentos, por natureza, tendem ser bonitos; alguns, como este, são bonitos devido à presença visível de Deus nas vidas dos nubentes. Jay e Lindsay serão usados por Deus para abençoar muitos, com certeza.

No próximo fim de semana, mais um casamento. Desta vez, à distância de 10-12 horas de carro, em Houston, onde meu sobrinho Josh vai casar. Quando regressarmos a Arkansas depois daquele casamento, faltarão poucos dias antes de voltarmos para a Madeira no dia 8 de Fevereiro: mais uma travessia do Atlântico. Basta! digo eu...durante algum tempo pelo menos.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Até aqui, tudo bem

Já faz quase uma semana que voltei para casa e comecei a conhecer as "alegrias" de viver só. Cozinhar, por exemplo, não é tão difícil: Colocar a comida na panela, e pôr ao lume. Quando a cozinha se encher de fumo, tira-se a panela do lume e sirva. Alguém pergunta se consigo comer o que preparo? Claro! Evito preparar o que não gosto.

Ainda há roupa no armário e nas gavetas, por isso lavar roupa e passar a ferro são alegrias adiadas para a semana. Não vai ser a primeira vez que faço isso, mas Abbie provavelmente não se lembra da última vez que o fiz. Sei que a "regra do fumo" que serve na cozinha não se aplica ao trabalho de engomar a roupa.

Fora de casa, o tempo virou chuvoso e "frio"...baixou até 10º ontem. Não se compara com os -14º do Colorado, mas com humidade e sem aquecimento em casa, é mais desconfortável.

Na igreja, os últimos dos membros que viajaram (com a excepção de Abbie) já voltaram, José Carlos e Susana tendo chegado do Brasil hoje. Marcia voltou mais cedo na semana com muito bom aspecto. Será tão bom ver a casa do Senhor cheia mais uma vez este Domingo.

sábado, janeiro 06, 2007

Funchal e o Livro de Recordes Guinness

Pela primeira vez em 30 anos não estávamos presentes, neste ano em que tornou-se oficial: O Livro de Recordes Guinness mandou uma equipa para observar pessoalmente o espectáculo pirotécnico da noite de fim-de-ano, e dentro de horas confirmaram a sua decisão. O fogo de artifício na noite de São Silvestre (31 Dez) foi homologado como a maior espectáculo desse tipo no mundo.

Se perdeu a experiência, também, pode fazer clique aqui pode aceder a um site que mostra o vídeo de 11 minutos, que começa mostrando a estrada que fazemos todos os dias entre a casa e o Funchal. O fogo de artifício em si ocupa quase 10 minutos. No final, ouvem-se os barcos de cruzeiros (8) que estiveram no porto nessa noite. O site (em Inglês) também inclui alguns dados sobre o fogo (por ex.: 8000 explosões por minuto), mas não sei se fala do custo, que foi cerca de 1 milhão de euros (1,3 milhões de USD).

Sozinho em Casa

Apesar do atraso de 3 horas em Newark, cheguei em casa na hora prevista (15h e tal ontem), graças às 5 horas previstas entre voos no Porto, que permitiram-me a apanhar o voo para Funchal.

Eu ia colocar mais umas das últimas fotos que tirei a caminho de Denver (mais de 2 horas de viagem de Pueblo), mas o computador não está de boas relações com o leitor de cartões neste momento. Não faz mal, as fotos só mostram mais neve e mais neve e mais neve. E por falar em mais neve, um e-mail da Mãe diz que ontem estava a cair muita neve outra vez entre Pueblo e Denver. Consegui sair antes de mais uma tempestade de neve.

Foi muito bom estar com a família nesta altura do ano. Agora estou sem família nenhuma por perto, pois Abbie ficou com Joy e Mark. Bem, "sem família nenhuma" não é bem o caso: os irmãos e as irmãs da igreja são família, também, e fico feliz em poder estar com eles amanhã.

Entretanto, não é enredo de cinema: estou literalmente, "sozinho em casa", pelo menos até levantar voo para regressar aos EUA em 2 semanas e meia.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Sempre em frente

A página do calendário virou e entrámos já no ano de 2007. Raquel e Chris voltaram para casa na 6ª-feira depois do pior da tempestade ter passado. Eles têm de atravessar as Montanhas Rochosas para chegar em Grand Junction, que fica perto da divisa com Utah. Esta vez talvez fosse melhor ir para o oeste do que para o leste. Não caiu muita neve desta vez aqui mas para o sul e para o leste, as estradas foram fechadas com "dunas" (drifts) de neve com 3 metros e mais de altura. Até prédios cederam debaixo do peso da neve.

Abbie partiu hoje (3ª) com Mark e Joy para voltar para Arkansas. As estradas devem estar já limpas, mas com certeza vão ver muita neve pelo caminho. Espero que a sua viagem, que normalmente leva 12 horas, não seja muito mais do que isso. Eu devo partir de Denver na 5ª-feira por volta de meio-dia, e chegar na Madeira por volta de meio-dia do dia seguinte. Julgo que esta será a última vez que escrevo antes de chegar em casa. Aqui deixo uma amostra das fotos tiradas nos últimos dias.

Não caiu muita neve aqui, mas o frio que veio depois da neve deixou as árvores cobertas de geada antes do sol derreter tudo o gelo frágil.




























































As flores de verão, mortas há muito, obstinadamente ergam as suas cabeças castanhas por cima da neve, e fazem contraste com a brancura da neve. "Porque toda a carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; mas a palavra do Senhor permanece para sempre." 1 Pedro 1:24-25

























De dia, os raios do sol passam pela cerca, e ao cair da noite, a lua cheia levanta e ilumina o mesmo campo.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Afinal, "A White Christmas"

Embora há uma semana atrás a neve era tanta que o estado de Colorado inteiro foi "encerrado", incluindo o aeroporto de Denver durante dois dias, a maior parte da neve em Pueblo já tinha desaparecida antes de chegarmos. Ontem, no "4º dia de Natal", a neve veio de novo. Jeff tinha reserva para sair de Denver às 18h30, mas com a nova tempestade em vista, ninguém tinha certeza se os voos iriam sair. Ele adiou a sua saída o máximo possível sem ter uma resposta definitiva, e acabou conduzindo para lá sem saber se podia voar. O jornal hoje diz que 180 voos foram cancelados ontem, mas pensamos que ele conseguiu seguir viagem. Pelo menos ele saiu de Pueblo e chegou a Denver antes do encerramento das estradas.


Abbie e Raquel foram às compras quando a neve estava começando a cair. Será que há algum parentesco entre elas?





Não há tanta neve desta vez, mas dizem que vai durar mais tempo (até Domingo, talvez), e estará mais frio. O problema não é a quantidade de neve, mas o gelo, que torna perigoso o sair a pé ou de carro. Está prevista a descida de temperaturas até perto dos -15ºC nos próximos dias. Tirei algumas fotos como recordação da neve.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Os três dias de Natal


Como escrevi, este foi o "Ano Sem Natal", isto é, houve muito pouco nesse dia que lembrava o Natal. Suponho que a nossa "Árvore de Natal" este ano seria esta árvore em frente do hotel em Lisboa, em cores de outono que faziam contraste com os pinheiros do outro lado da rua. Faz contraste também com as árvores de Madeira, que quase não passam pela mudança de cores.

Em NY, felizmente houve vagas no voo, e pudemos continuar viagem até Denver. Já eram 23h00 quando aterrámos, e não foi possível ver bem a paisagem de neve durante as 2 hours e tal que andámos de carro até à casa de Ricardo em Pueblo, onde chegámos depois das 2h00.

Acordámos antes das 7h00 e pelas 8h30 estávamos todos reunidos em volta da "verdadeira" árvore de Natal, cercada pelos presentes. Embora já era dia 27 de Dezembro, era em tudo "tal e qual Natal". Com as festividades a serem prolongadas desta maneira, lembrei-me da tradição de alguns lugares onde havia "12 dias de Natal", que é, por acaso, precisamente o número de dias que estarei fora de casa nesta viagem.
Em baixo: Os nossos sete netos debaixo da árvore

De passo em passo...

As minhas desculpas! Esta versão foi colocada no blog em Inglês, e a versão inglesa aqui...estava com pressa no aeroporto de Lisboa...


Neste momento estamos sentados na sala de embarque do aeroporto de Lisboa, à espera do voo para Newark daqui a 30 minutos. Até aqui, tudo bem. O próximo episódio desta novela terá lugar em Newark quando tentamos seguir viagem para Denver. Como perdemos o voo de ontem na Continental, hoje estamos na lista de espera, e estou quase certo de que não somos as únicas pessoas naquela lista.

terça-feira, dezembro 26, 2006

One step at a time

We are now sitting in the Lisbon airport waiting to board our flight to Newark in about 30 minutes. So far, so good. The next instalment in this saga will be at Newark when we find out when we can actually move on to Denver. Since we missed our connection for the Continental flight to Denver yesterday, we're on the waiting list now, and I suspect we're not the only ones on that list.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

O ano sem Natal...

...ou sem um dia minimamente parecido com o Natal. Esta noite estamos num hotel em Lisboa com outros viajantes "vítimas" do mesmo mal (alguns com destino ao Brasil, alguns a Espanha, outros à França), mas todos nós enviados para um hotel com instruções para voltar ao aeroporto amanhã para embarcar nos nosso respectivos voos. A causa de toda esta confusão? O greve de zelo dos pilotos da TAP, que estão a protestar a medida do governo relativo à mudança da idade de reforma dos 60 para os 65 anos. Nem todos os voos são afectados---alguns são atrasados, outros simplesmente cancelados. Nosso foi cancelado.

As refeições no hotel, almoço e jantar, foram abundantes (buffet, come tudo que quiser), mas a escolha de bacalhau, mariscos, porco assado, e cabrito não se ajusta àquilo que nós consideramos a comida de Natal. Não estamos com fome, mas também talvez não estejamos "satisfeitos".

Mas estamos gratos por ter lugar para ficar, comida mais que suficiente, e uma cama onde dormir. Talvez, amanhã ainda tenhamos motivo semelhante de gratidão...a última palavra da funcionária da TAP foi que não consegue garantir as nossas reservas nos voos amanhã para NY e Denver.

Eu Bem Disse

O que foi que escrevi da última vez? Eis, a minha previsão virou realidade...embora um tanto distorcida. O problema surgiu no lado oposto ao esperado.


Levantámo-nos esta manhã às 3h30 para estarmos no aeroporto até às 4h30 para apanhar o avião das 6h00 para Lisboa. As primeiras palavras que lemos no ecrã de informações: "Voo cancelado". Agora, sentado na sala de embarque com o sol a levantar-se sobre as Ilhas Desertas e Abbie a tentar descansar um pouco (eu dormi umas duas horas e tal esta noite, ela, não), esperamos o voo das 10h00. Só que não conseguiremos apanhar o voo para Nova Iorque e de lá para Denver. Afinal, vamos passar o Dia de Natal num hotel de Lisboa, e apanhar o mesmo voo amanhã às 11h50. Claro, a companhia TAP teve de nos dar vouchers para táxi, refeições e hotel.

Pelo lado positivo: vamos ter a oportunidade de descansar bem antes do último pulo para o outro lado do oceano. Mas, o que disse acerca do nosso primeiro Dia de Natal nos EUA desde 1975 fica sem efeito, e nem sinal de nem um floco de neve sequer.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Onde estava a minha cabeça?!

Bem feito! O Cônsul-geral em Lisboa me avisou. Mas, teimosamente prossegui com o plano: eu fiz reservas e comprei bilhetes para voar até aos EUA no dia de Natal.

Destino: Denver
Notícias no CNN na 4ª-feira (e 5ª, e hoje): Colorado soterrado numa tempestade de neve...o aeroporto de Denver fechado...mais de 1000 voos cancelados...milhares de passageiros "presos pela neve".

Uns meses atrás, quando disse ao cônsul-geral que eu planeava uma viagem aos EUA para passarmos o primeiro Natal lá desde 1975, ele contou como ele tentou visitar a sua família em Michigan no Natal uns anos atrás. Conseguiram chegar a Chicago, mas o mau tempo e greves obrigaram-nos a passar três dias no aeroporto de O'Hare em Chicago. A sua esposa o avisou para NUNCA MAIS falar em "visitar os pais no Natal"!

Mas nós vamos. Não sei até onde vamos nesse dia, ou quanto tempo levará para chegarmos lá. Esperamos que as condições melhorem até 2ª-feira à noite quando devemos chegar. Pensei em levar comigo uma pá para a neve, só que não sei como conseguiria fazê-la passar pela segurança no embarque. Mas nem vale a pena pensar mais no assunto...não consigo encontrar uma pá dessas na Madeira. Gosto de viver na Madeira, e agora estou a lembrar-me de uma das razões por que.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Marcos no caminho

40-40-90-30-60
Não é com esses números que consegue ter acesso ao meu cofre (não tenho cofre), nem são medidas corporais (altura, peso, ou "circunferência"). Antes, representam comemorações significantes deste ano de 2006:

40 anos de pastor consagrado (Abril 1966)
40 anos de casamento (Agosto 1966)
90 anos de vida para minha mãe (Agosto 1916)
30 anos na Madeira (chegámos aqui no dia 3 de Dezembro de 1976)
60 anos na terra (eu cheguei ao mundo em 8 de Dezembro de 1946)


Eu me lembrei dos marcos que eram tão comuns aqui anos atrás. Nos meados do século XX, a estrada foi concluída que dava a volta à ilha seguindo mais ou menos a linha da costa. Em muitos lugares, a estrada foi literalmente "gravada" na face das escarpas. A Ilha da Madeira mede aproximadamente 55 km por 20 km, mas a estrada "costeira" em muitos lugares teve de fazer grandes desvios para o interior para contornar os vales profundos, e a volta acabou tendo um cumprimento de 200 km. Começando no Funchal, e indo no sentido contrário aos ponteiros de relógio, marcos na Estrada Nacional 1 (practicamente estrada nactional única, em verdade, durante anos) informaram o viajante qual a distância já percorrida, e portanto, quantos quilómetros faltavam para completar os 200 km no Funchal. Além de informar qual a estrada (E.N. 1) em que estava, os marcos mostraram os próximos sítios e a distância em décimos de quilómetro.






Kilometer 15, a leste do Funchal;
1.6 quilómetros até Santa Cruz.

Hoje, no nosso lado da ilha, estes marcos primitivos são muito raros: a antiga estrada estreita, calcetada em pedra foi alargada e alcatroada; os muros de protecção foram substituídos. Muita parte da estrada antiga desapareceu com a construção da via rápida, e as secções que ainda existem são abandonadas ou pouco utilizadas. Porventura, é nestes lugares, que se possa ainda encontrar um marco ou outro, e alguns destes por baixo da vegetação que cresce sem controlo, outro sinal do abandono destes trechos de estrada.





Também raras são as pequenas pedras que marcaram os décimos de quilometro, como aqui no Km 11,7








40-40-90-30-60: Para nós, 2006 foi cheio de marcos. Mas os marcos na estrada somente indicam onde estamos, quanta distância andámos; não dizem nada acerca de como chegámos até lá, se com excesso de velocidade, ou se houve um pneu com furo, ou se errámos no caminho e foi preciso voltar para trás para entrar novamente no rumo certo, ou se caminhámos a pé ou andámos de bicicleta. Na vida, o mais importante é COMO caminhamos de um marco até ao outro. Ao prestarmos contas a Deus no Dia de Juízo, não será o número de marcos que alcançámos, mas se chegámos lá de uma forma que agradou a Deus.

Convém realçar uma diferença importante: o marco na estrada também pode servir para nos dizer a distância até ao nosso destino, mas o calendário somente me diz que o ano de 2006 vai acabar em menos de duas semanas. Não me diz até onde vou chegar no ano de 2007 e além, ou quanto tempo me resta antes de chegar ao destino final. Cada dia representa um destino intermediário; que possamos viajar de maneira que ao fim de cada dia tenhamos agradado a Deus.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Entre festas...

Para nós, americanos, acabámos de festejar uma das grandes festas do nosso povo: Thanksgiving (Dia de Acção de Graças). Logo em seguida vem outra: Natal. Quanto à primeira, através do consulado organizámos um jantar de Thanksgiving (nos EUA é no meio do dia, mas como não é feriado aqui e muitos trabalham, tem de ser à noite). Houve muitos e muitos anos em que nunca nos lembrámos do dia, pois eu estava a dar aulas e Abbie trabalhava na livraria que tínhamos.

Na 5ª-feira da semana passada, havia 42 pessoas presentes no jantar, que foi preparado por um restaurante num hotel. Como o chefe não é americano, não conseguiu acertar nos várious pratos e dar-lhes o sabor tipicamente americano, mas estávamos juntos com amigos e estávamos gratos na mesma. Antes de começar, até fiz uma oração de agradecimento a Deus pelas Suas bençãos.


A outra grande notícia é sobre o Natal. Como José Carlos e Marcia estarão fora, e Jackie and Jaime também---as famílias na igreja com quem costumamos passar Natal---pensámos em aproveitar uma promoção e passar a última semana de Dezembro e o Ano Novo em viagem. Mas, como vamos estar nos EUA para dois casamentos, um no último fim de semana de Janeiro e o outro na semana a seguir, decidi surpreender Abbie e arranjei bilhetes para o Dia de Natal para irmos aos EUA. Eu volto na primeira semana de Janeiro, e vou novamente no final do mês para os casamentos. Entretanto, Abbie passará o mês de Janeiro com seus pais ou com Joy e Mark em Arkansas. Eu embrulhei os bilhetes e disse que dentro iria saber onde vamos estar no Natal. Quando ela leu "Pueblo, Colorado", ela realmente entrou em choque. Vai ser o primeiro Natal que passamos nos EUA desde 1975. Na verdade, para a maior parte do dia, estaremos no ar ou em aeroportos, pois saímos às 6h00 no dia de Natal e chegamos em Denver às 22h20 do mesmo dia. Devido às 7 horas de diferença do fuso horário, o nosso dia de Natal terá 31 horas.

É claro que a perspectiva de ver filhos e netos, além dos outros familiares (os pais de Abbie, minha mãe, e alguns dos nossos irmãos e irmãs) nos enche de grande expectativa.

Justamente na altura que estava a planear esta viagem, o que implicava estarmos separados durante quase três semanas, eu tinha de ir à Lisboa para reuniões na Embaixada. Como era uma viagem rápida, e o governo não paga os €200 para o bilhete da Abbie, eu ia só. A questão era se ficava uma noite ou duas. Abbie foi preemptória: "Duas noites separados, nem pensar." Eu realmente perguntava-me a mim mesmo como ela reagiria à proposta de ficarmos separados durante três semanas, e em lados opostos do oceano. Algo estranho aconteceu: ela, a esposa dedicada que não admitia ficar mais do que uma noite sem mim, estando à uns 1000 km distante, mostrou-se muito pronta e contente em passar três semanas à distância de 7000 km de mim. Eis a lógica de mulheres: quem pode entendê-las?

Quando estávamos a discutir a possibilidade de viajar depois do Natal, cada um propunha uma restrição: Abbie disse -- "longe, não"; eu -- "para o norte, não" (isto é, nada de frio nem neve). Parece que ambos nós vacilámos nas nossas imposições.

quarta-feira, novembro 08, 2006

1 Mês e 20 Anos

1 Mês

Já faz um mês que não apareço por aqui. Até há pouco mais de uma semana, eu não tinha nenhuma folga das traduções. É a mesma história de sempre. Uma vez que começa a avalanche, não há nada a fazer senão aguentar e esperar até que passe. Justamente na altura que estava a ficar livre das traduções, houve uma semana de temporais na Madeira (chuvas e vento) e durante mais de uma semana ficámos sem telefone. Isto é, por vezes aparecia um sinal de linha, mas mal conseguia fazer o download de e-mails e antes de poder responder, já caía a linha de novo. Quando os técnicos finalmente vieram ver, era o que já sabíamos: água tinha entrado numa caixa de distribuição e conforme os ventos e a chuva, cortava o sinal. Para variar, até cheguei a ler um livro. Não era mal de todo.

Também fui a Lisboa onde fiquei uma noite, mas quando regressei passei mais duas noites a lutar com um virus qualquer. Talvez não fosse virus...o melhor remédio era descanso.

20 Anos


Marcia, como se recordarão os que seguem o blog algum tempo, começou o ano mal: foi informada que sofria de um linfoma Hodgkins. Depois de 8 meses de tratamentos quimioterapia, ela passou um mês no continente para fazer radioterapia. Os médicos dizem que não há sinais de cancro agora. Hoje ela voou para o Brasil, para passar o resto do ano com os pais. José Carlos e Susana vão no dia 18 de Dezembro, e voltam no princípio de Janeiro. Ontem celebraram 20 anos de casado, e Marcia queria um celebração na igreja, não só para comemorar o aniversário de casamento, mas também como culto de acção de graças por tudo que Deus fez por eles ao longo deste ano. Sejam 20 anos ou não---é sempre bom agradecer a Deus pelas Suas bençãos.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Duas razões (pelo menos)

Se fosse enumerar todas as razões (lê-se, desculpas) por que não tenho aparecido aqui, nunca chegaria a colocar nada no blog esta noite. Portanto, deixo só duas: 1) trabalhos de tradução que não deixam nenhum espaçozinho para recuperar o fôlego---interrompidos somente para fazer o essencial no consulado e manter os trabalhos da igreja. 2) Embora não pareça, comecei a preparar umas mudanças no "layout" desta página e falta qualquer coisa para conseguir o que pretendo. Se passar por aqui e encontrar tudo baralhado, não desistam. Mais dia, menos dia, chegaremos lá.

E isto em jeito de informação: 5ª-feira foi feriado aqui em Portugal, e eu passei a maior parte do dia na cama. Uma gripe, ou algo parecido. Não conta como razão #3, pois se tivesse me sentido bem, teria trabalhado numa tradução e não neste blog.

Informação #2: Os cultos hoje (ontem, já) foram muito abençoados. Marcia voltou do continente, onde passou um mês a fazer radioterapia. Não foi propriamente por causa do seu regresso esta tarde, mas de facto, o salão estava repleto, sem cadeiras para todos os que assistiram. Temos orado que Deus mexa connosco. Mexeu.

sábado, setembro 16, 2006

Uma Vida Bem Ordenada

(Fazer clique nas fotos para ampliar)

A cidade do Funchal passa por mais uma série de transformações. Ao longo dos últimos anos, muitas das ruas estreitas do centro foram fechadas ao trânsito e entregues aos peões. Este verão, dois quarteirões da avenida central foram tranformados em passeio pedonal. Com paciência (vou-lhes dar o benefício da dúvida), os trabalhadores sentem-se no chão; uns partem as pedras pretas e brancas em cubos; outros colocam as pedras uma por uma na base de areia nivelada; finalmente, cimento é espalhado por cima da calçada, enchendo os espaços entre as pedras, com o excedente a ser limpo depois. O resultado é a calçada típica de Portugal.

O que começou como montes de areia e pedras, com tempo forma um padrão bem ordenado. Aqui, os desenhos são lineares, mas não há limites sobre as possibilidades. Flores, navios, círculos, formas onduladas, xadrez...há um pouco de tudo. Alguém sabia de antemão como ficaria o padrão no fim, e aquele alguém informou os trabalhadores como colocar as pedras pretas e as pedras brancas para que ficassem naquele padrão. As pedras não são colocadas à toa, mas de acordo com as réguas e os moldes do padrão.

É uma luta manter os negócios da vida em ordem. Tenho um PDA, que me ajuda controlar os compromissos. Mas, 1º: preciso lembrar registar os deveres e compromissos no PDA; 2: tenho de lembrar-me de verificar no PDA se há algum compromisso. Eu costumava trazer um bloco de notas na algibeira para me ajudar lembrar estas coisas, mas, de modo geral, nunca funcionou muito bem. Agora, com o PDA, parece funcionar um pouco melhor, mas ainda tenho de me lembrar de dois passos que são a minha inteira responsabilidade. Já chega!

Logo que regressámos da viagem aos EUA, os pedidos para traduções começaram a chegar um atrás do outro. O caos está começando a ameaçar a minha agenda...tantos trabalhos, tantos prazos de entrega, tantos graus de urgência! Mas, graças a Deus, acima e além de tudo isso, há ordem no universo. Além das condições aparentemente caóticas do temporal actual, há um alvo superior, um destino final certo para esta viagem. Existe Um que sabe como pegar nas pilhas caóticas das pedras pretas e pedras brancas---as experiências da vida (boas e más)---e colocá-las uma por uma num padrão da Sua escolha.


Pode dizer-se uma coisa sobre a maneira dos portugueses construirem as calçadas: é trabalhosa! Imagine o trabalho preciso para calcetar uma área o tamanho dum campo de futebol. Claro, trazer os caminhões betoneiros e deitar uma laje de cimento com centenas de metros de área seria muito mais fácil e rápido. Mas não teria a mesma beleza, pois não? Suponho que Deus muito bem podia deitar uma "laje de cimento" na minha vida e me dispensar das lutas diárias inerentes em carregar a cruz. Mas o resultado não teria a mesma beleza. Às vezes, tenho pressa, mas é melhor deixar Deus formar o padrão divino na minha vida, uma experiência dolorosa/agradável por cada vez, alinhando-as com a Sua régua e de acordo com o Seu molde.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Não são férias, propriamente dito

Regressámos há uma semana, e o ritmo da vida já volta a ser o que era antes. O tempo, porém, tira-nos qualquer vontade de fazer rapidamente o que for. Estamos com tempo leste, o vento quente que vem do deserto da África 500 km a leste. As temperaturas vão até 33º ou 34º, e de noite, arrefece-se muito pouco. A brisa (quando há) está quente também, e como não há ar condicionado em casa, é muito difícil dormir. A humidade elevada agrava a situação.



A primeira coisa a fazer na manhã de ontem (4ª) foi buscar José Carlos, Marcia e Susana para levá-los ao aeroporto, mas o propósito da viagem não é propriamente fazer férias. Marcia vai ao Porto para fazer os tratamentos de radioterapia que completarão o seu tratamento de Hodgkin's. Ela fez a última sessão de quimioterapia aqui no Funchal em Agosto. O mais provável é que esta vez terá de ficar uns três semanas fazendo tratamentos; José Carlos ficará o mais tempo possível antes de voltar ao trabalho aqui, talvez duas semanas; Susana tem de voltar no dia 16 para matricular-se nos cursos do próximo ano da universidade.

Como disse a última vez que escrevi, Domingo foi um dia de folga para nós. Aurélio pregou de manhã em Inglês, e à tarde em Português. Quanto à música, de manhã, três membros tocaram guitarras, e no culto à tarde, duas jovens tocaram o piano. Não tirei foto delas, mas Sara e Raquel vão tocar muitas mais vezes no futuro, se Deus quiser.

Os pais de Aurélio eram madeirenses, mas ele e o seu irmão, Orlando, nasceram em Kinshasa, Congo. Aurélio vive na Mauritania com sua esposa holandesa, Sitske, e seus dois filhos. Viveram muitos anos em Marrocos, e agora estão na Mauritania. Passaram o verão aqui, portanto ele podia pregar na nossa ausência.





Albert, Sandra e Luisa tocaram nos cultos de manhã.

domingo, setembro 03, 2006

Domingo, meu dia de folga

Sempre tive um problema em compreender o conceito de "fim-de-semana" que muita gente tem. Melhor, eu acho que o compreendo, mas nunca estive numa posição para gozá-lo da mesma forma. Domingo tem sido sempre "dia de trabalho", desde a manhã até ao fim do dia, com até quatro lições ou sermões, normalmente em duas línguas, e nos últimos anos, três.

Muitos pastores folgam na Segunda-feira, um tipo de "fim-de-semana" deslocado. Mas durante quase 20 anos, dei aulas de Inglês, e a Segunda-feira foi dia de trabalho. No consulado, também, naturalmente abrimos às Segundas, por isso, a Segunda-feira nunca foi opção como dia de folga. Amanhã, por acaso, é feriado americano, e não trabalho no consulado, mas à tarde, irei à prisão para duas horas de ministério com os reclusos. Ainda não será um dia inteiramente livre de compromissos.

Hoje, porém, é dia de folga. Quando chegámos na Quarta-feira, foi justamente com tempo de assistir ao culto de oração. Como a igreja não tinha a certeza que estaríamos presentes, os membros fizeram tudo. Também fomos informados que nós (incluindo Abbie com a música) teríamos um dia de folga este Domingo. Os vários membros da igreja vão assumir a responsabilidade do trabalho da pregação, do ensino, e da música. É mais uma fase no crescimento da igreja. Para nós, é como o filho que vê que pode nadar, ou andar sozinho de bicicleta, e sabe que os pais se sentirão orgulhosos vendo isso. E estamos. Um dia de folga faz muito bem, creio eu.

terça-feira, agosto 29, 2006

Amanhã: Casa!

Estamos em casa de Joy e Mark, e daqui a três horas saímos para o aeroporto...devemos chegar em casa amanhã por volta de 5 horas da tarde. Estas 5 semanas foram muito cheias, e logo que puder, coloco umas fotos. Tentei ontem, mas por alguma razão não foi possível enviar a primeira foto para o blog, e tive de desistir por enquanto.

Agora há novos regulamentos sobre a bagagem, e já não é a mesma coisa fazer as malas. O que vamos levar em mão daqui dos EUA, não pode seguir assim quando sairmos de Gatwick amanhã. Teremos que pôr quase toda a bagagem de mão no porão como "checked baggage" no último voo. Estar em casa novamente depois de 5 semanas...que bom! Mas vamos estar quase 24 horas em viagem entre a saída do primeiro voo e a chegada do último. Quantas vezes não vamos olhar para o relógio e pensar: Ainda não chegámos?

sexta-feira, agosto 11, 2006

Em movimento

(17 Agosto: Comecei a traduzir isso no dia 11, mas não pude acabar, porque viajámos de Arkansas para Colorado na Segunda-feira, dia 14. Por isso vai ser publicado com quase uma semana de atraso. Nem tenho tempo agora para rever o texto ver onde estão as gralhas. Vai assim, e avançamos para outro.)


Já faz mais do que duas semanas desde a última notícia nossa aqui no blog. Logo depois entrámos na última semana antes da nossa saída da Madeira no dia 27 de Julho, naturalmente um tempo muito cheio. Na véspera da nossa saída, a igreja marcou um convívio, supostamente para "despedida" da casa de Jackie e Jaime, que venderam. Ao longo dos anos, tem sido local de muitas festas e reuniões para a igreja, e daqui a pouco não estará disponível. Mas eu e Abbie desconfiámos que o motivo real era para comemorar o nosso 40º aniversário de casamento, que é amanhã, dia 12, portanto
durante a nossa estadia aqui nos EUA. A igreja queria nos supreender com uma festa, e em parte, foram bem sucedidos. Não fomos supreendidos pelo facto de haver festa, somente não sabíamos como seria.
(1)Logo fomos apresentados com um bolo típico ucrâniano com espigas de trigo para simbolizar os nossos quatro filhos. Pedro e Lidiia cantaram uma canção de benção em ucrâniano.
(2)Vários membros da igreja falaram da nossa influência nas suas vidas. Alguns eram crianças ou muito jovens quando primeiramente vieram à igreja, e agora eles têm filhos.




Houve arranjos florais, muita música e bolos especiais, e Marcia pediu que os membros falássem algo alusivo à ocasião. Muitos dos que falaram são da idade dos nossos filhos, e nos consideram como pais. Somos muito abençoados em ter uma igreja que demonstra tanto amor, e em verdade, esse amor para connosco é tão forte quanto o de qualquer família aqui na terra.



Novas experiências: Frankfurt

Pela primeira vez nas nossas viagens, a nossa rota nos levou por Frankfurt, onde ficámos uma noite. O tempo era curto, mas como era o nosso primeiro contacto com Alemanha, foi interessante. Jantámos num restaurante alemão típico (mas andámos muitos quarteirões passando por restaurantes chineses, coreanos, e italianos para chegar lá). Como o nosso voo no dia seguinte era à tarde, tivemos tempo de fazer algumas compras de manhã. De facto, fui eu que fiz compras: completei o meu jogo de harmónicas, e que melhor lugar do que Alemanha, país de origem de Hohner?


(3) A estação central de comboios em Frankfurt, com um "biergarten" instalado no passeio em frente da entrada principal.

(4) Dentro da estação, um grupo de jovens aguarda o seu comboio, fazendo um mini-acampamento no hall de entrada.


Apanhámos o comboio para o aeroporto, o que devia levar 10 minutos. Depois de 20 minutos comecei a suspeitar que estávamos no comboio errado. Há duas linhas que vão a Wiesbaden, mas uma delas desvia para o norte e não passa pelo aeroporto, e foi esta que tomámos! Foi preciso ler os cartazes rapidamente (tudo em alemão) para saber onde descer e apanhar um comboio a ir na direcção oposta, e estar seguro que passava pelo aeroporto. Em fim, passeámos uma hora pelos campos, mas teríamos apreciado melhor a paisagem se não houvesse aquela preocupação e ponto de dúvida sobre se chegaríamos a tempo de apanhar o voo para Chicago. Ainda bem que tínhamos saido mais cedo do centro do que pensámos ser necessário! Chegámos a tempo, mas em fim, o voo estava atrasado. Tivemos tempo para matar, mas ficámos sem maneira de matá-lo.

Felizmente, na véspera, quando chegámos ao aeroporto, eu tinha me informado sobre o terminal de onde o nosso voo para os EUA iria sair. No dia seguinte, como estávamos em cima da hora, sabíamos que era preciso ir directamente ao terminal C. Esta parte devia ser a mais recente, pois estava ainda em construção. Não havia quase nenhum lugar onde a gente podia se sentar. O corredor estava cheio de pessoas sentadas sobre, ou ao lado da sua bagagem. Não havia nenhumas lojas abertas nessa zona do aeroporto, somente existem alguns espaços provisórios a ocupar o corredor, onde era possível compra um souvenir ou algo para ler. Foi a única impressão negativa que registámos na nossa estadia em Frankfurt, e infelizmente, foi a última impressão. Devo dizer, porém, que não é esta a impressão mais duradoura de Frankfurt, e gostaríamos de lá ir outra vez.

Chicago, outra história

O voo para Chicago durou 9 horas, mas foi um dos melhores que alguma vez fizemos na atravessia do Atlântico. Embora o nosso voo saiu atrasado de Frankfurt, chegámos quase na hora prevista em Chicago, o que foi muito bom, porque tivemos somente uma hora e meia entre voos. Já fazia pelo menos 20 anos desde a última vez que estivemos em Chicago, mas passar por um aeroporto não é bem a mesmo coisa como estar na cidade. Neste caso, a cidade de Chicago deve estar feliz que a impressão que tivemos do aeroporto não é tida em conta contra a cidade em si.

Sendo o nosso voo um voo internacional, tivemos de passar pelo controlo da imigração, depois levantar a bagagem, passar pela alfândega, e depois re-entregar as malas para o voo a seguir. Já fizemos isto muitas vezes em Nova Iorque, por exemplo, e com um mínimo de confusão. Em Chicago, não foi assim.

A passagem pela imigração foi relativamente rápida, especialmente para nós, por sermos americanos. Depois procedemos à recolha das malas na tapete nº4, conforme às indicações que nos foram dadas. Mas as malas nesse tapete eram todas de um voo da Air India, e finalmente alguém nos informou que as nossas malas iriam sair no nº 1. Embora essa informação nunca apareceu nos monitores foi lá mesmo que apareceram.

Havia somente dois agentes a verificar as declarações para alfândega que os passageiros de todos os voos eram obrigados a apresentar. A má colocação do balcão fez com que não houve uma fila só. Os passageiros vinham do lado direito, lado esquerdo, do centro da sala de recolha de bagagem. Junto do balcão havia uma multidão de passageiros, do nosso voo, do voo da Air India, e como a demora era tão grande, outros voos ainda, que chegaram quase ao mesmo tempo. Com os aviões jumbo que agora são utilizados nos voos transatlânticos, centenas de pessoas empurravam para conseguir um lugar junto do balcão. Chegou ao ponto de um dos agentes sair do seu lugar, entrar pela massa humana dentro e mandar certos grupos de passageiros a dar uma volta e entrar na bicha, pois nós que procurámos formar uma fila, ficámos sem possibilidade nenhuma para avançar. Os agentes não podiam fazer mais do que verificar que cada família entregou uma declaração...nem sequer olharam para ver o que estava a ser declarado, e de maneira alguma podiam se dar ao luxo de mandar abrir uma mala para ver. Estavam completamente sobrecarregados, dado ao número de passageiros que chegaram quase ao mesmo tempo.

finalmente passámos, mas o tempo passava, e era preciso ir ao outro terminal para o voo. Ao sair da sala de alfândega, funcionários procuravam ajudar os passageiros em trânsito encontrar os seus voos, e ao mesmo tempo, colocar a bagagem de novo no sistema para ser colocado no avião. Esta sala, também, tinha certa ambiente de "zoo"...confusão, funcionários a gritar---foi óbvio que eles estavam com muitas dificuldades para lidar com tantos passageiros ao mesmo tempo. Não era o modelo de eficiência que esperávamos ver na América.

Conseguimos chegar ao outro terminal com poucos minutos antes da hora de embarque...mas descobrimos que o nosso foo seria atrasado uma hora. Na verdade, o atraso chegou a ser de duas horas, e assim chegámos em casa de Joy e Mark quando era quase meia noite, em vez das 21 horas previstas. O voo sobre o Atlântico tinha sido tão bom que, se tivéssemos saído de Chicago à hora prevista, sentiríamos muito bem apesar de estar em pé umas 20 horas ou mais. Mas o atraso de duas horas em Chicago foi um golpe que acabou com as nossas forças em reserva.

Mas depois de ouvir as notícias hoje sobre o plano terrorista que foi impedido no Reino Unido, e os problemas que isto está a causar aos passageiros em todos os lados, estamos gratos que não vamos voar senão no final do mês. Estou certo que há dezenas de milhares de passageiros que com muito gosto aceitavam um atraso de duas horas no seu voo, onde podia esperar num café, em troca de passar horas e horas na fila para passar a segurança, ou de ter o seu voo cancelado.

(A continuar...)