quinta-feira, junho 29, 2006

Arte na prisão


Não sei como, mas esta semana, na reunião na prisão, começámos a falar sobre igrejas, e especialmente, a diferença entre a Igreja Ortodoxa na Ucrânia (e claro, na Rússia e nas outras variações deste ramo de cristianismo). De um lado da mesa estavam dois homens da América Latina, e do outro, dois da Ucrânia. Creio que tudo começou quando perguntei se sabiam os 10 Mandamentos. O primeiro, eles sabiam, mais ou menos. O segundo...nada. Ao explicar que o segundo mandamento proibe o fabrico de estátuas e imagens e em seguida, prostrar-se perante elas, fiz menção da diferença entre a Igreja do Ocidente (Roma) e a do Oriente (as Igrejas Ortodoxas). A Igreja Católica adoptou o uso de imagens (estátuas), enquanto as Ortodoxas proibiram as estátuas, e ficaram com as pinturas, os ícones.

Falei das nossas impressões das igrejas ortodoxas que visitámos na Ucrânia...a diferença mais notável talvez sendo que é raro encontrar um banco numa igreja ortodoxa. O povo assiste as ceremónias de pé. A arquitectura ortodoxa também é muito sui generis. Foi aí que Mishah pediu uma esferográfica e desenhou uma igreja ortodoxa típica. Outra diferença: as igrejas e capelas tendem a ser redondas ou octagonais. Nota-se isso também no desenho.

Já faz um ano desde a nossa visita. (Veja nos arquivos de Junho 2005 para fotos e descrição da viagem.) Voltaremos? Só Deus sabe. Entretanto, para aqueles que têm algum interesse no Mundial de Futebol, a Ucrânia ainda lá está. Com Portugal e o Brasil, são três equipas que merecem o pequeno apoio nosso...já que os EUA não foram tão bem sucedidos!

segunda-feira, junho 26, 2006

Explicando Melhor

Depois de ler o blog da semana passada, onde mencionei que tive de preparar a visita do embaixador dos EUA na sua visita oficial à Madeira, reparei que, ao contrário do que fiz na versão em Inglês, não indiquei no pequeno parágrafo biográfico ao lado que, desde Fevereiro 2001, sou também o Agente Consular dos EUA na Madeira. É algo como ser Cônsul Honorário, só que no caso dos EUA, é uma posição remunerada. Há semanas em que não há muito trabalho, mas de vez em quando surge um caso em que é preciso trabalhar à noite ou fim de semana.

Achei por bem falar nisso, caso alguém tivesse lido o que escrevi na semana passada e não entendeu porque eu iria ser chamado a ajudar na visita do embaixador. Aproveito para acrescentar este facto da minha posição consular no texto na coluna da margem esquerda.

domingo, junho 18, 2006

Admiro aqueles que...

escrevem no seu blog todos os dias. Ou duas ou três vezes por semana. Ou uma vez por semana, sem falhar. Neste momento, não reuno as qualificações mínimas para ser incluído nesse número dos admirados.

Nas últimas semanas, já tentei colocar uma mensagem no blog, junto com fotos, mas naquele dia, e naquela hora, a ligação internet deixou de funcionar. Agora tenho de encontrar aquelas fotos novamente e tentar publicar a mensagem outra vez.

Enquanto isso, além de estar com trabalhos de tradução sem interrupção, tive de ajudar preparar a visita à Madeira do embaixador dos EUA em Portugal, quando ele veio em visita oficial na outra semana. Foi o clímax de meses de preparação e programação da visita, que na semana antes da data programada, estava cancelada durante 24 horas. Felizmente, o cancelamento não "pegou", e a visita prosseguiu de acordo com o planeado. Ainda bem, senão teríamos de fazer todo o trabalho de preparação de novo. Por isso, houve semanas antes da visita, e os dois dias de visita aqui, que eu estava mesmo cheio de trabalho.

No feriado nacional na Quinta-feira (Corpo de Deus), dia 15, a igreja aproveitou e passou o dia na serra. Cerca de 50 pessoas foram lá deliciar-se com as nuvens, chuva miudinha, neblina, e um momento e outro de sol. Na verdade, apreciámos mais a comida e as actividades planeadas pelas irmãs Marcia e Gil-Lene do que o tempo.

Sexta-feira, eu e Abbie assistimos a um concerto de um grupo austríaco, que tocou guitarra, harpa, e cítara. Abbie estudou harpa durante um ano, e maravilhou-se com a facilidade com que a harpista produziu música lindíssima. Nada fácil, disse Abbie. Eu, que há alguns anos procuro tocar guitarra, mas sem professor, observei a jovem senhora que tocou a guitarra. Como ela tocava, parecia fácil, mas a aparência engana. E o senhor que tocou a cítara! Mas como nenhum de nós alguma vez tentou tocar uma cítara (e para dizer a verdade, nem sequer tínhamos visto alguém tocar uma), podíamos descansar e deliciar-nos com a sua música sem sofrer o tipo de frustração pessoal que sentimos ao ver as senhoras tocar instrumentos com que temos "lutado".

Mas tudo isso está no passado. Já são as primeiras horas de mais um Domingo, e aguardamos com expectativa o que o Senhor nos trará neste dia. E quanto ao blog...eu ainda tenho aspirações de conseguir fazer parte daquele grupo que admiro tanto, nem que seja por publicar uma mensagem pelo menos uma vez por semana.

quarta-feira, maio 24, 2006

Actualização: últimas notícias primeiro

Começando com as últimas notícias primeiro: já temos os bilhetes para a visita aos EUA este verão. Saimos 27 de Julho, e regressamos 30 de Agosto. Durante o tempo lá vamos ter as nossas famílias reunidas, primeiro a da Abbie, e mais tarde a minha, quando a Mãe celebrar os seus 90 anos de idade. Uns dias antes será o nosso 40º aniversário de casamento.

Nunca pagámos tão caro por bilhetes...qualquer coisa como €1220 cada. Geralmente, viajamos um mês e tal mais cedo para aproveitar a época mais baixa, mas não foi possível esta vez. No segundo lugar, penso no custo de levar o 757 até à bomba na esquina da rua e abastecer. Com gasolina super aos €1.417/litro, tive de pagar €60 para encher o tanque do meu carro. Nestes termos, o preço de €2400 para os bilhetes ainda é mais barato do que conduzir o meu Opel até aos EUA.

Só leva 10 minutos...então ?

Realmente, não leva muito tempo publicar algo no blog. De facto, 10 minutos por dia são suficientes para isso, mas o problema é que quero publicar algo de valor, que vale a pena ler, algo substancial. Isso leva mais do que 10 minutos.

Dias compridos, noites curtas...as traduções não param de chegar. Os trabalhos sobrepõem-se, e antes de acabar um já devia ter começado o próximo. Finalmente cheguei ao "último" trabalho, mas penso que outros vão chegar antes de acabá-lo.

Eu podia tirar 10 minutos por dia, como estou a fazer agora, mas tirando-os das primeiras horas do dia e não do meio ou do fim. Depois de passar horas ao computador, a mente diz, "chega!" e procura um descanso. Mesmo somente mais 10 minutos parecem ser um obstáculo insuperável. Por isso, vai um dia, vão uns dias; vai uma semana, vão algumas semanas.

Marcia completou metade da sua quimioterapia inicialmente programada. A queda do cabelo é muito evidente; talvez tenha alcançado o ponto máximo, só o tempo dirá. Agora são os efeitos secundários gastrointestinais que se fazem sentir.

Há mais notícias: nossa viagem recente até Barcelona e Sevilha, a próxima viagem aos EUA. Mas tudo isso tem de ficar por outro dia. Os meus 10 minutos se esgotaram.

sexta-feira, maio 05, 2006

Estou a escrever...é verdade!

Se julgar pelo blog, ninguém diria que estou a escrever, mas a verdade é que tenho estado a escrever, e muito! Praticamente à mesma hora fui apresentado com dois trabalhos de tradução, cada qual com cerca de 10.000 palavras, e isto além das outras coisas que têm de ser feitas. Nos últimos dias tenho escrito (traduzido) algo como 4.000 palavras por dia, e no caso do primeiro documento, é trabalho mesmo. É um contrato cheio de terminologia jurídica. A próxima semana vai ser do mesmo estilo, só que o assunto é diferente: é um relatório sobre as políticas agrícolas e subsídios aos agricultores...165 páginas, 20.000 palavras...felizmente, 1/4 é tabelas e gráficos que não preciso mexer, outro 1/4 é texto que já traduzi no ano passado, o que ainda deixa qualquer coisa como 10.000 palavras a traduzir.


Este trabalho de tradução me impediu de relatar as nossas experiências nas três semanas em que não escrevi nada. Ainda vou descrever as nossas visitas à Barcelona e Sevilha, incluindo fotos. Mas a maior notícia é que Deus estava a mexer nos corações do povo nos cultos Domingo passado. Apesar do monte de trabalho e deveres do dia-a-dia que parecem querer nos soterrar, as bençãos que esperamos do Senhor na companhia do Seu povo, na Sua casa, no Seu dia são muito mais importantes do que tudo. É para a Sua manifestação de poder e a Sua presença no nosso meio que pedimos ardentement ao Senhor.

segunda-feira, abril 10, 2006

"Em verdade, em verdade, vos digo: Lucas 18:8"

A primeira hora da nova semana de trabalho foi gasta em voltas pela cidade que me fizeram meditar sobre a fé, ou a falta dela. 1: Pagar o seguro do carro. (Era para ser pago no dia 6, e por descuido deixei passar a data...já estava a ver que ia perder mais de 25 anos de bónus com as regras da nova lei em Portugal, que não concede período de 30 dias de graça! Cheguei a tempo pois o agente não tinha devolvido o recibo ainda, graças a Deus!) 2: Ir aos correios levantar a carta do Ministério de Justiça em resposta do nosso pedido de registo da Igreja no Registo Nacional de Colectivas Religiosas, de acordo com a Lei da Liberdade Religiosa. 3: Pagar o contributo mensal para a "caixa"...o Centro de Segurança Social da Madeira.

Ítens 1 e 3 são obrigatórios. Pertencem à mesma classe de programas como os PPR's, fundos de pensões, e apólices de seguro de saúde. (Há outros com certeza.) Como cidadão consciente, desconto para a segurança social (de dois países!); como bom mordomo, procuro planear para uma eventual aposentadoria, investindo alguma coisa cada mês em fundos e planos de poupança (em dois países!); e aproveitei a oferta do Departamento do Estado dos EUA para um plano de seguro de saúde subsidiado. Alguns destes programas são facultativos, é verdade, mas quem duvida da sabedoria de fazer bom uso do dinheiro em planear para o futuro? Em fim, com todo o planeamento e programação social, será que as pessoas que vivem nas sociedades de hoje com orientação e política social realmente têm necessidade de confiar em Deus? Se acontecer algo, o governo ou a companhia de seguros virá resolver o nosso problema.

Ítem 2 (o registo da igreja) é mais um exemplo da intervenção do governo, mas a nível diferente. A queda do regime em Abril 1974 mudou a relação que existia entre a Igreja Católica e o Estado Português. Apesar de tanto falar em liberdade e igualdade, nem sempre a realidade demonstrou que era assim na prática. Só há três anos atrás veio a Lei da Liberdade Religiosa ser aprovada. "Liberdade"...? "Igualdade"...?? É verdade que não há perseguição oficial; há uma abertura maior em relação aos evangélicos em muitos lugares no país (mas não vamos dizer que é assim em todos os lugares no país). Mas entendo por quê Igrejas Baptistas em outros países (especialmento nas antigas repúblicas da URSS) recusaram registar com o governo. Por mais súbtil que seja, existe ainda a ideia de que o governo precisa "controlar, supervisionar, estar de olho em" os vários grupos religiosos.

Já em 1987, cumprimos as nossas obrigações jurídicas e registámos a nossa igreja, e a igreja foi constituida numa pessoa jurídica para que pudêssemos comprar uma propriedade. Graças a isso, hoje a igreja possui o seu próprio templo. Mas o antigo registo no Ministério de Justiça está a ser extinto, de acordo com a nova lei de "liberdade religiosa". A carta hoje nos informou que o nosso processo não está em condições de ser remetido para o novo Registo de Colectivas Religiosas. Temos 15 dias para esclarecer os pontos em que julgam não estarmos em conformidade. Ainda não estudei os pontos específicos, mas não vejo razão para não conseguirmos cumprir com o que pedem. MAS...isto não responde à pergunta por quê nós, "uma associação religiosa não-católica" somos obrigados a registar, se de facto, somos "livres e iguais".

Depois de passar a primeira hora do dia nesta volta inspiracional, a lidar com deveres perante o governo e a sociedade destinados a nos proteger e nos dar tudo que precisamos, eu começei a meditar sobre o papel que a fé em Deus tem em nossas vidas hoje. (Escrevo como membro de uma sociedade ocidental de política altamente social.) Devemos ficar admirados em ver a falta geral de fé em Deus nas pessoas em nossa volta? Há entre os evangélicos dos EUA, e não só, um movimento com muitos seguidores que ensina que nós, a igreja, podemos, e devemos transformar sociedades inteiras, isto é, ganhar o mundo para Cristo, cidade por cidade, país por país. Soa bem, mas na minha Bíblia encontro as palavras do próprio Jesus em Lucas 18:8 que me parecem ser uma forte contradição a tal ensino: "Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?" A resposta óbvia é--"Não, não muita."

Eu escrevi que o Pastor Neilson Amorim e família vêm amanhã para passar uma semana connosco. Por quê sentimos uma atracção tão forte a esta família e ao trabalho que estão a fazer? Embora não conhecêssemos a sua história no início, mais tarde ficámos a saber que quando sentiram a chamada de Deus para deixar o Brasil e vir trabalhar em Portugal, a junta missionária não aceitou a sua candidatura. Então, em obediência a Deus e não aos homens, venderam tudo e vieram com o apoio da sua igreja (humanamente falando, insuficiente), confiando em Deus para suprir as suas necessidades. Agora, o Pastor Neilson diz que, mesmo que lhe seja oferecido o apoio da junta, não está disposto a trocar a liberdade de confiar em Deus e Suas promessas pela "segurança" oferecida num contrato feito por homens. Ecos da nossa chamada para o campo missionário, e a maneira maravilhosa em que Deus nos sustentou ao longo dos anos, e muito além das nossas expectativas. Neste momento, temos mais garantias de estabilidade financeira, do ponto de vista dos homens, do que alguma vez tivemos na vida, mas dou graças a Deus por Pastor Neilson e a sua família. Servem de exemplo e para nos recordar do tipo de fé eu nunca quero perder.

Quando Jesus vier, encontrará a fé na terra? Não, não muita, mas enquanto houver homens e mulheres como Neilson e Esther, Ele encontrará os poucos fiéis, que estão completamente entregues a Deus. Faço minhas as palavras daquela velha canção, "When the Saints Go Marchin' In"---Lord, I want to be in that number (Senhor, eu quero fazer parte daquela companhia!).

domingo, abril 09, 2006

Abril, já!?!?

...e ainda por cima, estamos no dia 9 do mês (os primeiros minutos dele, pelo menos). As notícias sobre Jackie e Marcia são essencialmente as mesmas. Marcia completou a segunda série de seis tratamentos de quimioterapia, e no último fim de semana não estava na melhor forma. Esta semana já recuperou, aparentemente, e aguarda a próxima série que começa depois da Páscoa.

Desde a última vez que escrevi, houve muito trabalho no consulado, e além disso tenho tido as mãos (e cabeça) cheias de traduções. Ainda falta um trabalho, que quero acabar até 3ª-feira, no mais tardar. É que, nesse dia chega o Pastor Neilson Amorim com a sua família. Vão ficar uma semana, e ele vai pregar cada noite, de 4ª até Domingo. Aguardamos a palavra do Senhor com grande expectativa.

Na Páscoa, o coro da igreja (não de centenas de vozes, nem dezenas...mais precisamente, somos 10!) vai cantar uma cantata "antiga" de John Peterson (de 1958!) "O Maior Amor". É sempre "nesta altura do campeonato" que Abbie fica desesperada e chega a pensar, "Desta vez não dá...não conseguiremos esta vez." Este ano, foi Sábado passado. São bem poucas as vezes que todos estão presentes para os ensaios, e quando só tem dois que cantam baixo, dois tenores, duas a cantar o contralto, e duas o soprano, além de outras duas que cantam uma e outra parte, a falta de um ou dois faz muita diferença. Tem havido muita doença, trabalho de horas extras, etc. Abbie até requisitou a colaboração do Pastor Neilson e sua esposa. Esther vai cantar contralto e o pastor vai fazer a narração. Antes, foi preciso que alguém (geralmente, eu) do coro narrasse, além de cantar. Teremos duas oportunidades de ensaiar com Neilson e Esther antes de Domingo.

Uns anos atrás, tivemos na igreja um professor do Conservatório de Música, que ensinava guitarra clássica. O ano que esteve cá, ele observou o nosso coro (outras pessoas, mas mais ou menos o mesmo número de pessoas) enquanto tentámos aprender uma cantata. (Para dificultar a situação, geralmente só eu e Abbie sabemos ler a partitura.) Daniel opinou--"É impossível cantar esta cantata com menos de 30 vozes!" (Estávamos a orar que 30 pessoas viéssem assistir ao culto!) Ele tinha razão: nós não éramos capazes, mas Deus através de nós o fez, e há quase 20 anos, todos os anos, no Natal e na Páscoa, temos cantado, e pela graça de Deus faremos outra vez este ano.

Portanto, a agenda da próxima semana está cheia, até ao dia 18, quando o Pastor e sua família saírem. No dia seguinte, eu e Abbie vamos a Barcelona, onde vou participar num workshop do consulado durante dois dias. Voltaremos à Lisboa para passar o fim de semana lá, e regressaremos à Madeira no dia 25. Quer dizer, estaremos bem lançados em direcção ao mês de Maio.

O que!? Maio já?!?

terça-feira, março 28, 2006

Festa de Aniversário



Hoje à noite fomos convidados a jantar com José Carlos e Marcia para "festejar" o dia de anos da sua filha, Susana, que fez 19 anos. De festa, no sentido usual da palavra, não houve muita. Os únicos convidados éramos nós e Emerson, um amigo e irmão brasileiro, cuja família está no Brasil, além de Rui, o namorado da Susana, naturalmente. Mas era uma festa no sentido de convívio, e Marcia preparou comida a mais. Bolo também houve. Na foto, vê-se Emerson e Rui sentados ao lado da Susana. Como a outra foto mostra, a Marcia continua bem disposta.

segunda-feira, março 27, 2006

O Tempo Que Voa

Tempus fugit...ou voa. Talvez porque não havia aviões em Roma antiga, o tempo fugia em vez de voar. Hoje, seguramente, ele voa. Mas Moisés também sentiu a brevidade da vida, como escreveu em Salmo 90, "acabam-se os nossos anos como um conto ligeiro." Visto que isso foi antes da televisão ou Internet, parece-me que a condição humana não mudou tanto em 4.000 anos.

A semana foi cheia de trabalho no consulado...ainda o caso do americano que faleceu sem a presença de familiares na ilha. Esta burocracia há de prolongar-se por mais alguns dias para a semana que vem. Também, comecaram-se os preparativos para uma visita à Madeira pelo Embaixador num futuro próximo.

Para variar um pouco o programa, estamos na época de entregar declarações IRS (dos EUA) e como americanos em toda parte do mundo ainda têm de entregar declarações dos seus rendimentos, há um programa de voluntários para ajudar as pessoas no preenchimento das suas declarações. Na Madeira, sou eu a pessoa a quem os contribuintes procuram para obter ajuda. Eu, que não gosto nada de mexer com papéis e preparar as minhas declarações (tanto para Portugal como para os EUA), passo horas a preenchar as declarações para outras pessoas!

Na igreja, com a aproximação da Páscoa, foi preciso ter mais ensaios para a cantata. Quando finalmente chegava em casa, estava tão exausto que não conseguia escrever nada para o blog. Além disso, passámos duas noites a visitar a Jackie e Marcia.

Marcia receberá o quarto tratamento de quimioterapia esta semana, e ela está a passar bem. O cabelo dela continua a cair, mas até agora não se nota muito. De resto tem sofrido poucos efeitos secundários.

Jackie apanhou uma constipação forte esta semana, e teve de ficar em casa a semana toda. Ela melhorou o suficiente para estar nos cultos hoje, mas ainda está longe de estar saudável.

Abbie continua ensaiando tocar a cantata no piano, e no seu tempo "livre", coseu coletes para os homens do côro usar, e está mexendo em caixas de fotos para fazer um álbum da história da nossa igreja, quase 30 anos de fotos! Marcia, que não está dando aulas agora, e fica em casa o dia todo, está à procura de algo para ocupar o seu tempo. Ela se prontificou para fazer o álbum, mas Abbie ou eu vamos ter de ajudá-la com os nomes de pessoas e as datas que antecedem a entrada de José Carlos e Marcia na igreja. De qualquer maneira, deve ser uma boa terapia para ela, pois terá muita oportunidade de rir-se de fotos do pastor com muito cabelo (ou com bigode). Só tenho uma consolação e defesa: não sou o único que mudou nos últimos 15, 20, ou 30 anos.

sexta-feira, março 17, 2006

De volta...

Sei que a última mensagem foi datada em 4 de Março, um Sábado. Foi nesse fim de semana que fui informado que um cidadão americano estava em coma no hospital, e sem familiares na ilha. A partir da 2ª-feira, foram quatro dias intensos de telefonemas, em contacto com familiares nos EUA e com os serviços consulares em Lisboa. O homem faleceu 3ª-feira, e o processo foi tão complexo que tivemos de adiar a nossa viagem para Lisboa marcada para 5ª-feira, e voámos no dia seguinte. Fomos convidados a participar em Portugal 2015, um projecto missionário para Portugal, mas perdemos a primeira noite e a manhã do outro dia da conferência por causa deste caso urgente. Houve uma altura em que parecia provável sermos impedidos de viajar.

Embora não ficássemos para o funeral, eu não podia seguir viagem sem garantir que o funeral ia ser realizado, e que não faltava nenhum documento que precisava da minha assinatura enquanto agente consular. Nem houve tempo para escrever para o blog.

Voltámos hoje à noite da viagem, depois de uma semana em que somente foi possível verificar o e-mail nalguns dias, pois não houve tempo e/ou acesso para o Internet. Estivemos no Algarve no fim de semana, e regressámos à Lisboa onde tive dois dias de reuniões na Embaixada.

Depois de visitar os membros amanhã poderei dar notícias do estado de saúde de Jackie, Raquel, e Marcia. Também, há mais a contar da nossa viagem, mas para hoje fica esta explicação da falta de notícias.

domingo, março 05, 2006

Aqui Estou Outra Vez...Mas A Visita Será Curta

Como escrevi no início da semana, já estava a prever um período de alguns dias, em que estaria submerso no mar de traduções, e só viria à superfície por pouco tempo. Na verdade, o maior trabalho de tradução foi mais complicado do que parecia à primeira vista. Felizmente posso dizer que está despachado, embora haja um ou dois textos pequenos que me aguardam. Hoje, tirei o dia e nem pensei neles. Eu e Abbie aproveitámos o bom tempo da Madeira (finalmente um dia sem vento e chuva!) para limpar o quintal e trabalhar no jardim.

Várias pessoas têm escrito, dizendo que estão a orar pela Raquel, Marcia e Jackie, o que agradecemos muito. Hoje escrevo principalmente para dar as últimas notícias sobre elas, e dizer que ainda precisam muito das nossas orações, pois nenhuma delas está sem problemas.

Raquel continua ter problemas, pois engasga-se facilmente. Acontece com maior frequência quando está amamentando, mas ainda tosse e fica engasgada, cortando-lhe a respiração. Roberto e Militina têm de estar sempre atentos e aspirar a expectoração. O médico avisou que se Raquel tiver um caso grave como aquele que levou-a ao hospital, poderá desenvolver uma condição crônica. Como se pode imaginar, os pais de Raquel não podem dar-se ao luxo de adormecerem profundamente à noite, com esta preocupação de escutar pelo mínimo sinal de problemas.

Jackie terminou o tratamento com antibióticos, mas logo nos próximos dias sentiu novamente os sintomas da infecção renal. Há duas noites atrás, quando estava deitada na cama, sofreu uma espécie de cãibra nas pernas...a perna direita, do joelho abaixo, ficou torcida para dentro; o pé esquerdo ficou torcido para fora. Depois de algum tempo, conseguiu pôr as pernas em posição normal, e durante o dia tentou falar com o seu médico, mas ele não estava no consultório. Hoje ela parecia estar um pouco melhor.

Eu e Abbie fomos visitar Marcia pela primeira vez em mais de uma semana. Como Abbie tinha uma pequena tosse no início da semana, ela não queria arriscar dar levar uma infecção em casa da Marcia. Após o segundo tratamento de quimioterapia, Marcia está a perder o cabelo, e pela primeira vez sente problemas de náusea. Hoje, José Carlos teve de levá-la ao hospital devido a fortes dores abdominais/intestinais. A enfermeira lhe deu um medicamento, o que tem ajudado, e disse a Marcia que, se era só isso que tem sentido até agora, está muito bem. Marcia continua a ter uma atitude positiva e aguarda com expectativa a oportunidade de vir aos cultos na igreja novamente.

Agradecemos todos que lêem (e oram) fielmente. Tenho dois ou três outros artigos em preparação para colocar no blog, mas terei que emergir das profundezas dos outros trabalhos com mais tempo para poder finalizá-los.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Respirar é preciso (de vez em quando)

As baleias têm de vir ao de cima de vez em quando para encher os pulmões de ar antes de mergulhar de novo. De certa maneira, é isso que estou a fazer agora, marcando uma breve presença no blog para depois desaparecer durante uns dias.

O trabalho de tradução não é algo regular e previsível. De modo geral, pode dizer-se que não há nada a fazer (às vezes por uma semana ou mais), mas logo que vem um trabalho, vêm mais alguns um atrás do outro, tornando necessário trabalhar sem parar durante uma semana. Os trabalhos que vieram este fim de semana têm de ser entregues na 4ª-feira, portanto, 2ª e 3ª já estão agendadas para despachar as traduções.

Desde a última notícia dada na 3ª-feira, os casos urgentes de oração tiveram alguns desenvolvimentos:

Marcia: na 5ª-feira, ela recebeu o segundo tratamento de quimioterapia. José Carlos disse-nos hoje que o cabelo dela está começando a cair. Ela ainda está a ficar em casa o mais possível para evitar apanhar alguma infecção.

Jackie: houve um dia em que ela passou mal, cheio de dores, mas ontem (Sábado) já estava melhor e hoje assistiu ao culto. Ela parece estar a caminhar devagar, mas de forma regular, no caminho da recuperação.

Raquel: ela deu um grande susto aos pais na noite de 5ª-feira, quando começou a tossir e em seguida parou-lhe a respiração. Houve uns momentos tensos enquanto não conseguissem fazê-la respirar novamente. A família toda estava no culto hoje.

Os cultos na igreja foram uma grande benção, e o culto à tarde em Português estava particularmente bem assistido. Houve 5 ou 6 pessoas que nos visitaram pela primeira vez, e outra família da igreja que faz quase um ano que não vem ao culto estava presente. Eu e Abbie fomos falar com eles esta semana e parece que foi o suficiente para desimpedir o caminho de volta. Há um ano atrás passaram por uma provação e não souberam lidar com ela.

O que nos encoraja mais não é o número de pessoas em assistência, mas a presença evidente do Senhor na pregação e ensino da Palavra e no louvor e adoração. Não somos já as pessoas que éramos na semana passada, ou ontem. De alguma forma, mesmo pequena, demos um passo em direção ao Senhor, e pelo ministério do Seu Espírito Santo estamos mais pertos d'Ele.

Se eu desaparecer da blogosfera por uns dias, tenha a certeza que tão logo que for possível, estarei aqui de novo. As baleias não podem ficar sempre submersas...nem eu.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Mais ou Menos, ou Igual

MAIS: A irmã Jackie está em fase de melhoras, e por isso louvamos a Deus. O médico prolongou o tratamento com antibióticos, e parece que está a produzir bons resultados. Nos primeiros dias houve efeitos secundários desagradáveis, mas o médico disse-lhe para ter paciência e continuar com o tratamento. Ela tem outra consulta esta semana, mas o facto que ela estava nos dois cultos Domingo já é sinal que está a sentir-se melhor.

MENOS:
A pequena Raquel foi à consulta na semana passada e ela está a sofrer de uma recaída do seu problema respiratório. Felizmente não foi preciso interná-la, but o irmão dela, Nataniel, 3, também tem uma constipação forte, junto com o pai, Roberto. É um problema da família toda, que não pôde assistir aos cultos Domingo.

IGUAL:
Marcia terá a segunda dose de quimioterapia na 5ª-feira, mas até agora tem reagido bem ao medicamento. A comichão ainda cria um mal-estar e ela ainda está retida em casa a maior parte do tempo para não se expor a riscos de infecção.

A IGREJA: A assistência estava MENOS (muitas pessoas doentes), mas o estado de espírito dos irmãos está BEM. Depois da reunião de oração da 4ª-feira passada, houve outra semelhante na 6ª-feira. Os que estiveram presentes Domingo receberam grandes bençãos. Ionatan, o filho dos nossos irmãos romenos, Daniel e Dorina, foi perante a igreja e disse os livros da Bible in ordem. (Ele tem 6 anos.) Apresentamos uma Bíblia especial às crianças que aprendem os livros da Bíblia, e antes de lhe entregar a sua Bíblia perguntei-lhe se ele sabia os livros em romeno. Ele respondeu que não os sabia em romeno, mas também mais ninguém na igreja sabe, a não ser os seus pais (talvez!).

LINKS:
Comecei a pôr links aqui nesta página; já resolvi o problema de COMO fazer isso---só falta resolver o problema de QUANDO farei! Como o médico disse à Jackie, com paciência e perseverança, lá chegarei.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Levantai os vossos olhos...Olhai para cima, levantai as vossas cabeças...

Como deve ser o caso por toda a parte, a reunião de 4ª-feira é a mais informal de todas, e portanto a menos previsível. Às vezes, passamos quase 2 horas a procurar entender uma passagem difícil na Bíblia, ou debatemos um assunto quente da nossa sociedade moderna do ponto de vista bíblica. Sempre há oração, claro, mas esta semana a noite foi totalmente dedicada à oração. Houve alguns pedidos e alguns testemunhos de bênçãos, mas principalmente o tempo foi preenchido com o povo de Deus a orar.

Ao ler as notícias mais recentes aqui no blog, facilmente verá que a igreja toda, e certos membros, em especial, estão a passar por tempos difíceis. Lembrei-me das palavras de Jesus: "Levantai os vossos olhos, e vede as terras..." (João 4:35) Ele disse aos discípulos, encorajando-os a trabalhar; e, mais tarde, quando falou das provações que virão sobre o mundo nos últimos tempos, Ele disse, "Olhai para cima, levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima." (Lucas 21:28) Estar desânimado é estar abatido...estar em baixo. Se fixarmos a nossa atenção nos nossos problemas (ou nos daqueles que amamos--irmãos em Cristo, familiares), acabaremos ficando abatidos, em baixo. A solução: levantar os nossos olhos...olhar para cima e levantar as nossas cabeças.

Todos temos necessidades, mas os campos estão perante nós, cheios de almas mais necessitadas do que nós. Levantemos os nossos olhos e vejamos os campos. Estamos com problemas, mas quando fitamos os nossos olhos no horizonte, chegamos a ter uma visão do propósito de Deus, e pela fé sabemos que a nossa tribulação presente é leve e momentânea e produzirá um eterno peso de glória, como Paulo escreveu. Estas coisas Deus permitiu para tornar-nos melhor preparados para o Seu trabalho no campo. Levantemos as nossas cabeças e reconheçamos que a nossa redenção se aproxima. Deus está a trabalhar no mundo, na igreja, e em nossas vidas para fazer cumprir o Seu propósito.

Os pedidos dos vários membros são sinais que Deus está a trabalhar: "da-me mais ousadia para falar da Tua palavra"; "fortalece a nossa fé"; "colocamo-nos nas Tuas mãos -- usa-nos." São pedidos que Deus não pode recusar atender. Pela fé, esperamos grandes coisas do Senhor.

Notícias sobre Marcia: Ela continua a sentir-se bem, com a excepção da comichão intensa que é sintoma da sua doença, o que, por sua vez, dificulta o seu descanso à noite. O próximo tratamento de quimioterapia está marcado para o dia 23.

Notícias sobre Jackie: Devido à gravidade da infecção renal que ela tem, o médico mandou prolongar o tratamento com antibióticos até Domingo, pelo menos. O medicamento tem provocado algum mal-estar, mas parece que finalmente está começando a sentir-se um pouco melhor.

domingo, fevereiro 12, 2006

Lar Doce Lar


Como já disse, o pessoal da igreja está todo em casa neste momento, depois da Raquel e Marcia terem passado quase 15 dias no hospital. Raquel estava em casa no Domingo passado, mas os pais, Roberto e Mili, acharam por bem ela não sair já. Passámos em sua casa esta noite (foto tirado com telemóvel com pouca luz) e penso que poderá estar no culto este fim de semana. Ela ainda precisa ir à terapia para ajudar soltar a congestão que resta no pulmão.

Marcia está em casa, também, mas o médico aconselhou-a a ficar em casa o mais possível durante o próximo mês, e deve evitar recintos fechados onde estão muitas pessoas. O seu sistema imunitário está em baixo e por isso tem de descascar toda a fruta ou os vegetais que comer, por causa da possibilidade de vestígios de pesticidas na casca. Ela está muito animada e queria dar o seu testemunho no culto, e exortar os outros membros acerca da importância de servir ao Senhor. Parece que vai ter que esperar algumas semanas para fazer isso.

Jackie, que foi ao hospital para exames, realmente não foi internada, mas não tem passado bem os últimos dias.

Quanto a nós, as nossas dores e queixas resultam de trabalho. Começámos no longo processo de terminar as obras em falta em casa, e para isso, temos que decidir o que vamos deitar fora e o que vamos guardar...muita coisa que restou de mudanças e vários projectos de construção ao longo de 29 anos. Dentro de casa, Abbie queria mudar o piano para a outra sala; fora de casa (em cima dela, de facto), aproveitei uma paragem nas chuvas torrenciais que temos sofrido na última semana para subir no telhado tapar os buracos que deixavam a água inundar a cozinha cada vez que a chuva vinha do lado sul. Depois de mudar o piano, e trabalhar em cima do telhado a esforçar-me para não fazer um voo experimental de aterragem dolorosa, o corpo continuamente me lembra que tenho feito trabalhos físicos.

Mas depois de passar horas a ver o que tem estado guardado no sótão e na garagem, Abbie também acusa o stress. Não é fácil quando vê peluches ou bonecas que eram dos filhos, por exemplo. Guardar? jogar fora? guardar onde? Acaba sentindo como se tivesse carregado o piano ou passado o dia tentando manter o equilíbrio em cima do telhado.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Márcia Vem Para Casa

Foi confirmado que a Márcia tem linfoma Hodgkins, de grau 2B. A quimioterapia está programada para 15 em 15 dias, e ontem (5ª-feira) foi o primeiro tratamento. Estávamos no hospital quando ela voltou da primeira sessão, e ela estava num estado de espírito muito bom...claro, os efeitos do tratamento só começarão a aparecer depois. Ela está muito contente em saber que pode ir para casa 6ª-feira (hoje). A não ser que Deus intervenha de forma milagrosa, ainda vêm dias muito difíceis pela frente. As suas orações são muito importantes...não só a pedir a mão de Deus a tocar no corpo dela, mas a favor de tudo que Deus queira fazer na alma e espírito dela...e nas nossas vidas espirituais também!

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Marcia, Raquel e Jackie

Marcia foi transferida para o Centro Hospitalar do Funchal para fazer uns exames mais completos, que incluem TAC e medula óssea. Os resultados da biópsia da linfoma que determinará se é do tipo Hodgkins, ou não, não estão prontos ainda, mas as sintomas todas indicam que seja Hodgkins. O médico crê que a doença ainda está no nível 1 ou 2, e assim sendo, as probabilidades de cura são acima dos 80%. Vão começar com uma combinação de quimioterapia e radioterapia. Ela está de bom ânimo, e antes de deixar o hospital onde ficou uma semana, distribuiu 15 Bíblias dos Gideões. O seu marido, José Carlos, e a filha Susana precisam muito das nossas orações também, e estamos certos de que Deus permitiu isso para o avanço da Sua obra e glória aqui.

Depois do último culto Domingo à noite, um bom número de irmãos da igreja reuniu-se para um tempo de oração, não só para Márcia, mas para outros na igreja que estão a passar por tempos muito difíceis. A igreja toda está a crescer na fé através destas provações.

Raquel: Boas notícias--a filha de Roberto e Militina veio para casa Sábado depois de quase duas semanas no hospital. Ela nasceu no dia 30 de Dezembro, e com três semanas de vida teve que ser levada ao hospital com problemas de respiração (pulmões congestionadas). O médico disse aos pais que tiveram "sorte", pois se o ataque que ela sofreu tivesse sido de noite em casa, e não na porta do hospital, não teria escapado com a vida.

Jackie: Já que falo da saúde dos membros, aqui está a situação de Jackie, que há quase dois anos luta contra problemas graves de saúde, e até agora, ninguém conseguiu dizer o que eram, e como tratá-los. Depois de mais testes, um novo médico viu os resultados e disse claramente que não tem nada de cancro. Mas, ele disse que ela está muito doente. Para uma mulher da sua idade, os rins funcionam somente a 38% (ela tem um infecção renal), e a anemia está em 50%. Amanhã ela começa com antibióticos para combater a infecção renal e terá consulta com um nutricionista. Ele disse que ela vai ficar boa, mas para não esperar que isso aconteça "de imediato".

Agradecemos as orações de todos...com certeza, problemas de saúde vão deixar de ser tema principal neste blog. Deus tem muita coisa maravilhosa preparada para o Seu povo.

sábado, fevereiro 04, 2006

Novo Começo

Este blog foi criado há mais de um ano com a intenção de ser a versão portuguesa do nosso blog em Inglês, FACeTS of Madeira, para dar notícias da obra na Madeira aos irmãos e amigos de língua portuguesa. Até agora não foi possível manter este blog actualizado, situação que esperamos corrigir. A versão inglesa, que tem mais notícias e fotos do último ano pode ser acedida através do link em cima, no cabecalho da página. Entretanto, procuraremos actualizar as notícias aqui com uma frequência, não digo diário, mas pelo menos semanal, e sempre que haja algo mais significante a reportar.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Aquela Palavra Que Nos Assusta Mais


Cancro.
A palavra em si é uma sentença. Evoca o medo, pensamentos das coisas que mais tememos. O que conhecemos do cancro e dos seus efeitos nos enche de temor; o que não conhecemos nos assusta ainda mais.Ontem (5ª) ouvimos aquela palavra horrível: cancro.

Marcia (esq), a esposa do irmão José Carlos, tem passado o último ano, indo de médico em médico. Problemas com o tiróide, depois um cansaço tremendo (possivelmente resultado dos problemas com o tiróide) e por fim uma coceira que nunca passava. Talvez a coceira fosse reacção ao medicamento para o tiróide; testes mostraram uma reacção ao químicos na tinta para o cabelo, mas quando deixou de tomar o medicamento e de pintar o cabelo, a coceira continuou na mesma.

Na semana passada, apareceu um caroço no lado esquerdo inferior do pescoço, e a Marcia foi fazer mais análises. Logo que a médica viu os resultados, disse a Marcia para estar no hospital 2ª-feira. Ela foi, e já preparada para ficar, pois ela avisou que não ia sair do hospital sem saber a causa da sua aflição. Durante três dias fizeram mais análises, de sangue e urina. 5ª-feira, fizeram uma biopsia e a resposta não tardou em chegar: cancro no sangue.

Neste momento há mais incertezas do que certezas. O que já se sabe é que ela vai começar quimioterapia na próxima semana. Domingo vem um oncologista para determinar a natureza exacta do cancro e qual o tipo de tratamento que deve ser dado. Todos estamos num estado de choque. O José Carlos começa a pensar e imediatamente reconhece que não quer pensar mais, pois as perspectivas são muitas, e de modo geral, das piores.

No princípio do ano, senti o Senhor a levar-me a "adoptar" o irmão José Carlos como "alvo especial" para, durante este ano, trabalhar com ele mais, e orar por ele, como sendo o irmão da igreja com mais capacidade para me ajudar no ministério do ensino da palavra. É um dos irmãos mais maduros, cujo conselho aprecio muito. Como arquitecto, desenhou o nosso novo templo, uma obra que todos admiram pela sua beleza e funcionalidade. Creio que ele tem também um lugar especial na edificação da casa espiritual. Há poucos dias, eu senti que aquelas palavras dirigidas por Jesus a Pedro eram para José Carlos, também. Pressenti que iria ser cirandado, para depois poder ser útil no fortalecimento dos irmãos. "Estou a orar por ti," eu lhe disse. Nunca imaginava que esta provação incluísse aquela palavra assustadora "cancro". Se sentia a necessidade de orar por ele e Marcia antes, agora é que o peso desta responsabilidade multiplicou-se. Agradecemos a todos que oram por nós e os irmãos que Deus tem chamado aqui.