sábado, maio 17, 2008

Dia 4 - 13 de Maio - 3ª-feira: Físico? Quem, eu?

(Fazendo um clique em qualquer foto abre uma vista ampliada.)

Hoje oficicalmente começamos a nossa volta pela Irlanda. A primeira paragem foi o Castelo de Carrickfergus, e penso que esta é a única foto do castelo, que foi tirada quando íamos para lá.

O vento foi muito fresco, apesar do sol, e meio forte e talvez fosse por isso que Abbie estava a segurar bem na varanda. Até parece que os ventos predominantes fizeram com que a varanda ficasse torta. Olhando à praia em baixo do castelo, pode julgar-se que a maré estava baixa na altura que estávamos lá.

Daí, passámos mais para o norte até Larne, Whitehead, onde há um farol. Tirei umas fotos da paisagem no caminho para Whitehead, mas para os amantes de faróis, lamento...não há foto. Ir até ao farol envolvia uma subida que Abbie não podia fazer, e decidimos andar pela praia e apreciar as cores vibrantes em nossa volta.

O musgo junto do molhe (em cima) brilhava no sol, mas algumas das casas eram muito coloridas, também. Estamos a ver que as pessoas aqui na Irlanda não têm medo de pintar as suas casas de cores fortes.

A linha ferroviária passa pelo meio de Whitehead, e fomos obrigados a atravessá-la várias vezes, ou por baixo, ou em passagem de nível, ou ainda por meio da passadeira pedestre, como estas mulheres devem ter feito milhares de vezes já.

Encontrámos ainda estas flores que parecem quase ilumindas, e um quintal solarento.

Este estilo de trabalho em tijolo deve ter sido a moda em certa época, pois uma igreja na vizinhança tem o mesmo estilo de construção.

Mais tarde, depois do jantar, enquanto eu esperava pelos outros no nosso grupo, começei a conversar com um homem ao meu lado. Falámos da comida e depois donde somos, onde vivemos, e sem eu perceber, a sua esposa e três (acho eu) filhos juntaram-se a nós.

Era um prazer falar com esta família. Embora o tempo fosse breve, os rapazes mostraram-se muito bem comportados, e eles - pais e filhos - comunicaram um ar de ser uma família unida. A mãe tem família na Madeira, não muito próxima já, pois os seus avós saíram da Madeira, e foram para o Brasil há muitos anos atrás. Hoje ela é casada com um irlandês e vive em Belfast. No fim, fiquei a saber que durante o jantar eles tinham reparado no nosso grupo e tentaram adivinhar quem éramos e o que estávamos a fazer na Irlanda. O filho mais velho (12 - 13 anos?) tinham concluído que eu devia ser um físico. Bem, há muitas coisas piores que outros julgaram de mim, mas eu pergunto-me a mim se não era por causa do meu cabelo. Vejamos o caso de Einstein, por exemplo; era fácil ver que ele era físico pelo penteado dele. Abbie frequentemente me chama a atenção ao cabelo, se está bem penteado, ou não. Deve ter razão---ou não vão as pessoas pensar que sou um físico.

quinta-feira, maio 15, 2008

Luz e Sombra na Irlanda


As flores da Irlanda

Uma pequena amostra das flores que já encontrámos na Irlanda:



Alfazema em flor no quintal.






















Broughshane, onde passámos o fim de semana, orgulha-se que do facto de ter ganho
concursos entre cidades por ter os melhores jardims de flores.
Parece que tem ganho o 1º prémio muitos anos em seguida.








Algumas das flores no jardim botânico. Eu quase perdir Abbie na estufa, por causa da sua roupa de camuflagem.




































Em cima: (1º) Será que alguém possa explicar por quê há uma só tulipa na ultima fila nesta foto de grupo de tulipas amarelas?
(2º) Com o sol aberto, os estudantes da universidade apareceram no relvado como cogumelos que nascem após uma chuva.








Esq: Das flores que vimos hoje, estas eram as favoritas de Abbie, mas não sabemos o seu nome. As flores, tipo sineta, e as folhas coloridas pertencem à mesma planta. Alguém conhece o nome desta flor?








Dir: Esta cerejeira estava completamente coberta de flores. Tenho de voltar a visitar este lugar no verão quando ela estiver vermelha de fruto em vez de branca de flores.









quarta-feira, maio 14, 2008

Tirando o Atraso...

Desde a última vez que escrevi, tivemos mais uma profissão de fé, e houve duas no Domingo de Páscoa, por isso marcámos o dia 8 de Junho para um culto de baptismos. Também nesse intervalo do último mês recebemos visitas de pastores de fora, houve oportunidades de participar em estudos bíblicos, e as novas cadeiras encomendadas pela igreja devem chegar até ao fim de Maio. O trabalho aparece de todos os lados: do consulado, das traduções, e graças a Deus, na igreja, também.

Mas a última novidade foi:

Tirei essa foto quando descemos do avião no Sábado passado, à noite, às 23h. Saímos da Madeira por volta de meio dia, e vamos ficar na Irlanda até ao dia 28. A maior parte desse tempo será passado na Irlanda do Norte, mas vamos para a República da Irlanda (Dublin) amanhã (5ª) para ficar até Domingo. Estamos acompanhando uma excursão de um grupo da universidade onde estudei, mas também vamos aproveitar para visitar duas irmãs (irmãs nossas em Cristo, mas as duas são irmãs na carne, também) que primeiramente conhecemos na Madeira em 1981 ou 1982, quando lá foram de férias. Voltaram muitas vezes durante os anos, e sempre nos convidaram a visitá-las. Ficámos com elas as primeiras duas noites, enquanto o resto do nosso grupo vinha dos EUA, e voltaremos a ficar com elas 4 dias, depois do grupo regressar à América.

Antes de regressar à Madeira, ficaremos mais uma semana na Inglaterra a visitar Pastor Roland Brown e esposa, que já visitaram a nossa igreja várias vezes. Estamos a contar com a possibilidade de nos encontrar com Jackie e Jaime, que estarão de volta à Inglaterra, depois de 6 meses na Austrália, onde visitaram família.

Em seguida vai uma série de relatos sobre os primeiros dias da nossa viagem, entretanto já publicados no blog em Inglês.

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Dia 1 – 10 Maio – Do Funchal a Belfast

Saímos da Madeira logo após meio-dia, voando pela primeira vez numa linha “low-cost”. O voo para Stansted durou pouco mais de 3 horas, e conseguimos lugares na fileira da saída de emergência, o que foi uma bênção.

Aproveitei o tempo para ler a biografia de C. S. Lewis (autor da série Narnia), escrita por Derick Bingham. Durante a nossa excursão, vamos ter uma reunião com o autor e vamos visitar alguns lugares relacionados come Lewis, que era natural de Belfast. Li a maior parte do livro no voo até Stansted, e conclui a leitura no voo de l hora entre Stansted e Belfast. Outra vez conseguimos lugares junto da saída de emergência, portanto, viajámos muito bem.

Elizabeth nem só estava no aeroporto para nos receber, ela conseguiu convencer o pessoal do aeroporto a deixá-la entrar na zona de recolha de bagagem. Ela e a irmã devem ter viajado tanto nestes anos que são consideradas parte do pessoal do aeroporto!

Dia 2- 11 Maio - Domingo - Estamos em casa

Não viajamos tanto, mas estar longe da igreja onde estamos em casa pode ser um problema: Onde ir? Será uma bênção espiritual?

Sentiremos que estivemos na presença de Deus? Como estamos hospedados com Elizabeth e Joan vamos à igreja delas: Ballymena Baptist Church. Em muitas coisas é muito diferente da nossa:

1) Dentro de um ano, a igreja vai celebrar 130 anos; têm um avanço de 100 anos sobre a nossa.

2) Julgamos que houve 300+ no culto de manhã; a assistência na nossa igreja deve ser mais ou menos o remanescente que ultrapassa os 300 na sua igreja.

3) Eles têm uma orquestra pequena, mas muito completa, com 3 guitarras, uma flauta, um violino, um piano, um teclado, e uma bateria; neste campo estamos mais próximos---um piano, uma guitarra, uma flauta muito infrequente e, de vez em quando, uma harmónica.

4) Daqui um mês, vão mudar para o seu novo templo, deixando a escola onde se reúnem provisoriamente; construimos o nosso novo templo há 4 anos.

Mas quando cantaram, sentimos a presença do Senhor no seu culto; quando o pastor pregou, era a Palavra de Deus pura de início até ao fim, tanto de manhã, como no culto da tarde. Estávamos em casa. No próximo Domingo, estaremos em Dublin, mas no Domingo a seguir estaremos nessa igreja novamente; novamente sentiremos que estamos em casa, pois é a casa do Senhor.

À tarde, almoçámos fora no quintal de Elizabeth e Joan, à beira do rio. Patos subiam e desciam constantemente, e a água passou calmamente debaixo dos ramos das árvores a jusante. Fez-me lembrar das palavras do Salmista no Salmo 1:3, que aquele que medita na lei do Senhor será como árvore plantada à beira do rio, sempre dando seu fruto, sempre próspero em tudo que faz.

Dia 3 – 12 Maio – 2ª-feira -- Quando nem tudo corre como planeado

Estamos na Irlanda nesta altura porque estamos a acompanhar uma excursão de Irlanda do Norte e a República da Irlanda entre hoje e 6ª-feira da próxima semana. Os organizadores da excursão, Tracy Balzer e seu marido, Cary, ensinam na John Brown University, onde eu me formei em 1968 (no século passado), e a nossa filha Joy e seu marido, Mark Stoner, já nos primeiros anos deste século.

O grupo voou de Newark a Belfast durante a noite e chegaram logo após 9h00. Falámos por telemóvel com eles às 10h30 para confirmar o nosso encontro no hotel às 12h00. Quando falei com Tracy, eles já estavam na autoestrada a caminho do hotel.

Nós saímos de casa às 11h15 e Joan nos levou de Ballymena até ao hotel, o que levou uns 45 minutos. Estávamos no hotel na hora indicada, mas nada do grupo. Depois de esperar mais uns 45 minutos, a nossa fome devorou a nossa paciência e decidimos ir buscar alguma coisa para comer. Como nunca mais conseguimos falar com Tracy por telemóvel, deixámos um bilhete para dizer que estaríamos de volta às 14 horas.

Depois de almoçar, regressámos às 14:00, e... “o grupo não apareceu ainda”, fomos informados. Sentámo-nos; começámos a ler um jornal; uma dúvida súbita---será que estávamos no hotel certo? Lembrámos que houve uma mundança de reservas--será que era este que já não estava na lista? Fui me informar novamente na recepção: de facto havia um grupo com reservas em nome de Tracy Balzer. Nada a fazer, senão pedir um café e esperar. Claro, logo que trouxeram o café à mesa, a carrinha apareceu em frente do hotel.

Razão do atraso: obras no A2, que Joan sabia bem, e por isso nos levou por um caminho mais longo, mas mais rápido, pela cidade de Belfast. Como imaginámos, eles não saíram da autoestrada onde deviam, e como já estavam longe do hotel, almoçaram numa vila pequena no campo antes de procurar o hotel. Razão por quê não conseguimos falar: Tracy não tinha saldo nos cartões de telemóvel que usa no Reino Unido. Ela sabia que eu estava a chamar, mas no plano dela, nem pode atender se não tem saldo.

Mas tudo está bem quando acaba bem. Depois que estávamos todos instalados nos quartos, demos um passeio que incluiu um jardim botânico e Queen’s University (no fundo, atrás dos líderes, Cary e Tracy). Eu penso que os outros voltaram ao hotel para dormir depois da sua longa viagem, mas eu e Abbie andámos ainda mais uma hora, no fim de um dia maravilhoso. Quem disse que está sempre a chover em Belfast?

terça-feira, maio 13, 2008

Quando o perder é ganhar

Já vai em 9 anos que vou à prisão para dar estudos bíblicos de modo regular. O que começou com reuniões de 2 em 2 semanas, tornou-se semanais; começaram com 2 homens, e cheguei a ter 15, de quase tantos países; nos primeiros anos Inglês foi a língua franca, depois passou para bi-língue (Português e Inglês) e por vezes, tri-língues (um pouco de Francês, ou uma dose forte de Russo-Ucraniano). Mas, como com tudo na vida, nem estas situações eram permanentes. Na última reunião, só houve um recluso: Oleksiy (ou seja, Alex).
Além disso, ele me informou que ele seria o único daqui para frente.

Carlos, o açoriano, vai embora este mês; Oleg, um ucrâniano, há tempo pediu transferência para o continente, e em breve o seu pedido será concedido; Nikolay, outro ucraniano, saiu recentemente também, deixando Alex só. Ele confessou que estava preocupado, e falou disso ao Nikolay quando ele saiu: a pergunta que me fez foi:

"O pastor continuará a vir só por mim?"

O seu maior medo foi que eu chegaria à conclusão que não valia a pena tomar o tempo cada semana para ir à prisão para uma só pessoa. Mas de certa maneira, fiquei contente com a notícia. Por quê?

1) Porque agora a confusão de línguas ficou reduzida. Podemos falar em Português ou Russo à vontade; isto é, não haverá outra pessoa que nos obrigue a falar Português.

2) Eu já tinha arranjado um curso biblico em Russo, escrito especificamente para prisioneiros. Perguntei-lhe se ele já havia começado o curso. "É muito difícil fazer sem alguém para me orientar," ele disse. "Tenho dificuldade em encontrar os versículos na Bíblia." Quando eu for à prisão da próxima vez, poderemos fazer juntos o curso em Russo, pois o Alex mostra grande desejo de conhecer Deus.

Ele foi baptizado na Igreja Ortodoxa, mas só quando tinha mais de 20 anos. Embora fosse criado numa família de atéus (seu pai era oficial no exército soviético), ele chegou a acreditar que há um Poder Supremo, e ele está à procura de mais conhecimento acerca de Deus. Recentemente, foi castigado com 10 dias em solitário pela infracção de algum regulamento interno quase insignificante. Aceitou o castigo como uma benção: assim ele teve tempo de estar só para ler e meditar, longe da confusão geral do ambiente prisional em volta da sua cela: rádio com volume alto, argumentos, brigas, linguagem suja.

Este foi parte da razão por quê ele ficou tão contente em ouvir que eu continuaria a ir à prisão: "Estes 45 minutos são o único raio de luz na minha existência; o pastor representa a única luz que me chega nesta existência tão difícil aqui." (Minha tradução livre, mas era isso que estava a dizer.)

Mas há um segundo motivo para se alegrar: sendo o último recluso de fala russa na prisão (ainda há outro que nunca veio às reuniões, mas também está de saída), Alex não terá mais ninguém com quem possa falar Russo...a não ser comigo. Será bom para ele ter estas reuniões, para que ele não perca a facilidade em se exprimir na sua própria língua—caso o leitor não soubesse pela experiência de viver numa cultura de outra língua durante um período mais longo, tal possibilidade é muito real—e será bom para mim, para que possa melhorar o meu Russo. Mas também significa que aqueles 45 minutos serão tempo bem aproveitado, concentrado em uma alma com sede de Deus. Jesus ensinou que quem perde, em verdade, ganha; concordo que, neste caso, ter menos, é uma mais valia no sentido espiritual.

sábado, abril 19, 2008

O Desaparecido Foi Encontrado

Como expliquei a última vez que escrevi aqui, este blogue em Português está sempre em atraso em relação ao seu congénere em língua inglesa. Quem vai lá hoje vai verificar que aquele está algumas semanas sem novidades também...portanto, "Desaparecido" era o termo certo para o último artigo.

Sei também que este blogue em Português nunca terá os visitantes que o outro em Inglês tem, mas fui convencido hoje que vale a pena persistir. Hoje à noite, o irmão José Carlos comentou que tinha passado por aqui, e reparou que eu estava "Desaparecido". Pelo menos, o blogue foi encontrado.

Mais surpreendente ainda foi um e-mail que recebi hoje do Brasil. Começou assim:

Boa Noite Pr.Edgard Como vai???Quanto tempo não é mesmo? por um acaso, mexendo aqui na net, lembrei-me de voces, então resolvi pesquisar no GOOGLE seu nome atraves da IGREJA BATISTA da ILHA DA MADEIRA, e então, qual foi minha surpresa na primeira página, está estampada o site da sua Igreja, então cliquei e naveguei no seu site, escrevi algo.

Quem escreveu? Foi Mary Angela, filha do Pr. Waldemar, já falecido, da Igreja Batista de Santa Cruz do Rio Pardo, em SP, Brasil, de onde saímos em 1975 para virmos à Madeira. Já faz 33 anos que não a vemos, mas ela se lembrou de nós, e graças a Google, e a este nosso pequeno esforço de manter uma presença na Web, ela conseguiu reatar um laço que abraça um mar de distância e mais de três décadas de vida. Para si, Mary Angela, já vai a promessa de uma resposta mais longa, uma que exprima melhor toda esta onda de emoções evocada pelas recordações do nosso tempo no Brasil, onde Deus nos formou e preparou para a obra na Madeira. Para os outros leitores, vai a promessa que, embora a gente ande desaparecida por tempos, não tenciona abandonar este contacto com os que, por um motivo ou outro, estão interessados na obra que Deus está a fazer na Madeira. A este desaparecido sabe bem ser encontrado.

quarta-feira, março 05, 2008

Desaparecido

Quero agradecer todos que continuam a passar por aqui. Se lê Inglês, pode ver mais artigos no link em cima, pois não tive tempo de transferi-los para esta página em Português. Passei a maior parte de Fevereiro a traduzir um livro para a cidade do Funchal, que celebra os seus 500 anos em 2008. Levou mais tempo do que calculava, pois calculei que o texto seria 40.000 palavras. Calculei mal. Nem foi perto...no fim eram quase 60.000! Felizmente Fevereiro tinha um dia a mais este ano, pois deu jeito. Finalmente acabei o trabalho e espero voltar ao ritmo de vida mais normal. Talvez, não seja já.

Eu e Abbie vamos a Lisboa na 2ª, e voltaremos no dia 17. Os primeiros dias serão ocupados com reuniões na Embaixada, depois ficaremos no Seminário Baptista dois dias, e finalmente, 6ª e Sábado serão para uma conferência missionária. O ritmo provavelmente não será mais lento, mas pelo menos a paisagem será diferente.

sábado, janeiro 19, 2008

"Procure não dar nas vistas"

Em 11 de Setembro, 2001, data dos atentados nos EUA, eu tinha trabalhado só 7 meses como agente consular. Naquelas primeiras horas e dias de confusão, ninguém sabia o que aconteceria em seguida, ou se algo mais estava por acontecer. Em seguimento da política desenvolvida pelo Departamento do Estado dos EUA, recebi um telefonema do meu supervisor, o Cônsul-Geral em Lisboa. Americanos, em geral, e especialmente os que estavam directamente identificado com o Dept. do Estado ou o Governo Americano, eram tidos como estando em risco. Por isso, fui instruído para, entre outras coisas, "manter uma presença discreta", i.e., para não dar nas vistas. Não ri abertamente, mas achei imensa graça esta noção no meu caso.

Com 1,94m de altura, é impossível para mim andar pelas ruas do Funchal sem dar nas vistas. Quantas vezes minha altura me deu problemas, ao bater com a cabeça em casas mais antigas, construídas com portas que nem 1,80m não têm?! Além disso, em 15 anos de dar aulas de Inglês, tive mais de mil alunos, e durante mais de 10 anos tivemos uma livraria e papelaria num centro comercial no coração da cidade. Tanta gente nos conhece, mesmo nós não reconhecendo a eles. "Mantenha uma presença discreta." Pensei eu -- Talvez se andasse a gatinhar pelas ruas, ninguém notava.

Seria inútil. As pessoas aqui sempre repararam em nós. Logo no início, éramos diferentes, e não pela côr da pele---a Madeira fica próxima à África, mas foi colonizada pelos portugueses, e quando cá chegámos em 1976, houve muito poucas pessoas de côr aqui (só me lembro de uns 4 ou 5), uma situação que já mudou com a chegada de muitos imigrantes---mas era que fomos dos poucos americanos na ilha, e a única família americana jovem com crianças, e porque fomos os primeiros baptistas a vir à Madeira. Poucas pessoas tinham ouvido falar de baptistas antes de chegarmos.

Talvez o que mais ilustra a singularidade da nossa presença naqueles primeiros anos, foi a recepção de um postal (deve ter sido por volta de 1980). Escrito em Alemão, o postal informara que o remetente e esposa nos veriam dentro de 15 dias. A essa altura, eu já tinha estudado Alemão, mas não conseguia obter mais informação do postal, e em verdade, pouco mais informação havia nele. Procurei identificar o remetente com algum turista alemão que pudesse ter visitado aos cultos em Inglês, mas sem sucesso. Estudei o postal com mais atenção: fora enviado do Algarve, e olhei bem para o destinatário, "Bernhard Potter"...e estas duas palavras formaram a totalidade do endereço de destino---não havia rua, nem cidade, nem país, somente o nome de uma pessoa. De repente fez sentido: o postal não era para mim. Um turista alemão de férias no Algarve comprou postais para enviar aos amigos e familiares na Alemanha, mandou as frases de sempre "tempo maravilhoso...a gente se vê em 15 dias...," etc., e esqueceu-se de completar o endereço em baixo do nome do seu amigo, Bernhard Potter. Deitou o postal nos correios assim mesmo, e os correios entregaram o postal ao único Potter que conheciam em Portugal. (Bernhard? Edgar? Qual o problema? Não é Potter, na mesma?) Realmente os correios merecem uma salva de palmas com aquele esforço...hoje em dia, nem com morada completa conseguem entregar a correspondência, às vezes.

As implicações na obra missionária são evidentes. Quando estava no continente em Novembro, falei a um grupo de alunos do Seminário Baptista sobre missões pioneiras e a implantação de igrejas. Um dos pontos é que, para o povo a quem queremos alcançar, o missionário e a sua família estabelecem os padrões e se tornam em exemplos vivos da "nova religião". Para o bem ou para o mal, as nossas vidas definiram "Baptista" nas mentes dos madeirenses, que nunca tinham ouvido falar de Baptistas antes, muito menos visto algum.

A nossa filha mais nova, Joy, nasceu na Madeira e estudou aqui até completar o 12º ano. No seu blog (em Inglês), ela descreveu em parte o que ela sentiu neste papel, onde não podia deixar de dar nas vistas. Ela entitulou o seu artigo "Where everybody knows your name...or your address..." (Onde todos sabem o teu nome...ou a tua morada...)

Curioso foi, que na tarde de 11 de Setembro, poucas horas depois da queda das torres gêmeas em Nova Iorque, um agente da PSP foi destacado para "guardar" a nossa casa como medida de precaução. A RTP também veio para fazer uma entrevista, que foi filmada dentro de casa. Mas quando a entrevista passou no Telejornal naquela noite, lá estava uma imagem bem clara da nossa casa (a casa descrita por Joy como, "A Casa Branca na Encosta em que os Carros Batem"). Talvez a RTP teve um propósito em mostrar a casa na reportagem: caso os terroristas estivessem interessados em fazer explodir a nossa casa, era importante assegurar que não se enganassem no alvo.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Ele disse, Ela disse (2)

Dando continuidade ao pensamento do artigo anterior, e para que ninguém pense que não existe uma saída desta vida a não ser com dúvidas, desespero, e derrotas, senti que devia acrescentar as "últimas palavras" de alguém que não estava incluído no livro que li. Estas palavras foram registadas em um outro Livro:

"Porque já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda." -- O Apóstolo Paulo, 2 Tim. 4:6-8

Ou, seja, "Valeu a pena."

terça-feira, janeiro 15, 2008

Ele disse, Ela disse

Coisa rara: li um livro de uma só vez... 150+ capítulos. Antes de ficar muito impressionado com a minha capacidade de ler, devo explicar que os capítulos eram curtos, de modo geral pouco mais de uma frase ou meia dúzia de linhas. O título do livro explica tudo: "Famous Last Words: Fond Farewells, Deathbed Diatribes and Exclamations upon Expiration", compiled by Ray Robinson. (Em Português, algo como, "Últimas Palavras Famosas: Despedidas, Diatribes e Exclamações feitas na hora da morte.")

Ganhei o livro como oferta de Natal de um dos membros da igreja. O livro se apresenta como colectânea das últimas palavras registadas de pessoas famosas (e de outras desconhecidas), e os sentimentos vão desde o humorístico (mesmo à porta da morte) até ao desespero (bilhetes deixados por pessoas suicidas), enquanto algumas palavras não são nada profundas, especialmente porque a pessoa foi chamada desta vida inesperadamente enquanto estava a falar ou trabalhar.

A frase que talvez chamasse mais a minha atenção foram as palavras atribuídas a Louis B. Mayer, magnata da indústria cinematográfica (MGM). À beira da morte no hospital, ele disse, "It wasn't worth it." (Não valeu a pena.)

Sem mais contexto, só posso concluir que ele se referia à vida, que a vida não valeu a pena. Há quase 3000 anos atrás, o escritor de Eclesiastes chegou à mesma conclusão: "Vaidade de vaidades; tudo é vaidade." E Jesus explicou em palavras muito claras, "Pois o que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? ou o que dará o homem em recompensa da sua alma?" Mt. 16:26

O que diria eu se soubesse que o meu tempo tinha chegado? Quais serão as últimas palavras de cada um de vós que lê estas linhas? Quão triste é pensar que alguém chegue ao fim da vida e não ter mais nada a dizer do que, "Não valeu a pena. -- It wasn't worth it."

domingo, janeiro 13, 2008

Atracção Não Fatal

A história se repete, segundo o ditado. Eu acho que não é bem assim; penso que as pessoas continuam a fazer os mesmos erros: tais como ir a um arraial, beber até não poder mais, e depois tentar fazer a curva em frente da nossa casa à 100 por hora às 5h30 de manhã. Em Junho de 2003, foi na Festa de São Pedro. Às 5h45 fomos acordados por um estrondo e fomos encontrar o nosso Opel verde de lado e totalmente destruído. Escrevi sobre isso aqui e inclui estas fotos em Junho passado, no 4º aniversário do acidente.




Agora é a Festa de Santo Amaro, e esta manhã foi às 5h30. Mesmo estrondo, mas o nosso Opel desta vez é vermelho, e não foi grandemente danificado. A diferença: mandámos erguer um pilar na esquina da propriedade, ao lado da entrada. Isto evitou que o carro "atacante" batesse directamente no carro vermelho. Com a velocidade em que vinha, teria destruído o Opel vermelho e provavelmente o outro cinzento estacionado ao lado (visível no canto inferior esquerdo da 1ª foto). Mas, desta vez, o pilar caiu contra a porta da bagageira e fez mossa, mas de resto está bem. O pilar terá de ser levantado, e o muro reconstruído (mais uma vez).

Esta é pelo menos a 6ª vez que fomos "vítimas" de acidentes nesta curva nos 30 anos que vivemos aqui. Três vezes, os nossos carros foram atingidos. Felizmente, qualquer atracção que existe não tem sido fatal até ao momento.



sábado, janeiro 12, 2008

Posto no olho da rua

(Publicado em Inglês, no blog Facets of Madeira, em 08/01/08)

Ontem, por volta das 20h00, o telefone tocou. O número que apareceu no visor indicou que a chamada vinha de Santa Cruz, onde moramos, mas a voz era estranha e o Português muito carregado. Percebendo a minha confusão, o outro começou a falar em Russo/Ucraniano, o que não ajudou muito, pois não me lembrava de nenhum russo ou ucraniano em Santa Cruz que eu conhecia. A pessoa estava muito perturbada, o que dificultava ainda mais a conversa. Finalmente percebi: era Misha, um dos reclusos ucranianos que assiste às reuniões semanais na prisão.

Mas acabava de estar com ele e mais dois entre as 16h30 e 17h30! Agora, às 20h00, ele me dizia que estava no aeroporto, e nas duas horas desde que o deixei na prisão, ele foi mandado ir à cela, buscar as suas coisas, e ir para casa! Para casa?! Ucrânia...!


Disse-lhe para sentar-se e esperar lá, que eu logo iria buscá-lo. "Sentar" quieto era a última coisa que ele conseguia fazer. Ele estava num estado de choque. Um guarda lhe deu uma boleia até ao aeroporto, mas ele não tinha bilhete, nem reservas, só €300, e um papel do tribunal dizendo que ele tinha 30 dias para abandonar o país e fixar residência na Ucrânia! Misha foi preso no continente e passou 4 anos na prisão lá antes de ser transferido para a Madeira há 2 anos e 7 meses atrás. Ele não conhecia ninguém aqui...nunca trabalhou aqui...nunca viveu aqui. No seu desespero, ligou para mim, a única pessoa que conhece fora da prisão na Madeira.

Estava nervoso e preocupado. Não tinha lugar para passar a noite e não via maneira de chegar em casa. Repetia sempre, "Eu não sabe ninguém...eu não sabe nada aqui", ou "Não posso acreditar. É um sonho." (Cf. Salmo 126:1) No quintal da nossa casa, já de noite e um chuvisco a cair, ele passava as mãos sobre as folhas molhadas dos cardeais... "Há mais de 6 anos que não posso tocar em flores."

Aproveitámos e o levámos num passeio rápido até o Funchal e de volta...ele só tinha visto imagens da ilha na TV, e agora pela primeira vez, era algo real, tangível. Oferecemos o uso do nosso apartamento e eu lhe disse que esta manhã iríamos a uma agência de viagens para arranjar um bilhete.

A caminho do Funchal esta manhã, pareceu-me que os seus olhos não estavam acostumados à luz do sol: ele estava sempre a tapar os olhos. Depois de estacionar, andámos até à agência de viagens. "Faz 6 anos e meio que não ando na rua de uma cidade," quase como dizer que teria que aprender fazê-lo de novo.

Na agência de viagens, nada parecia correr a favor no início. Para os primeiros 30 ou 45 minutos, a únicas opção era esperar mais uma semana para apanhar um voo directo Lisboa-Kiev (€385) ou pagar €590 para ir na 6ª-feira, mas via Alemanha e Polónia. Misha (alcunha de Mikhaylo---Miguel) estava muito desanimado. "Vou ter que voltar à prisão e bater na porta e pedir que me aceitem de novo...estou preocupado."

"Estou muito preocupado," dizia várias vezes.

Por fim, um dos voos directas semanais era hoje à noite, e havia lugar. Ele estaria em Kiev amanhã de manhã, e em casa (500 km de Kiev) até ao fim do dia. O dinheiro? Eu disse-lhe que eu pagaria o bilhete, e ele podia me dar €150, o que lhe deixaria algum dinheiro para a viagem dentro da Ucrânia. "Minha alma está a chorar," ele disse, obviamente emocionado pelo facto que estaria a ver a família amanhã. Suas filhas tinham 4 e 6 anos de idade quando as viu pela última vez quase 7 anos atrás. No telefone, a mais nova lhe tem dito que não se lembra do seu pai. "Eu não sabe o que vou fazer quando ver!" Mais uma preocupação.

Esta tarde no aeroporto, tudo correu bem no check-in. Misha saiu para Lisboa às 16h00, onde teria de esperar umas 5 horas antes de pegar o voo nocturno para Kiev. A esta hora, já deve ter saída, o que significa que dois dos quatro ucranianos no estudo bíblico semanal saíram desde o princípio do ano. Valeriy saiu na semana passada, com o novo Código Penal em vigor a facilitar a libertação de certos reclusos. Mas os dois ucranianos que ainda ficaram não estarão de saída tão logo. Alex e Oleg estão ambos com um pena de 18 anos, e terão de servir metade antes de poder ir embora. Um já está há 5 anos na prisão, o outro só 3. Penso vê-los muitas vezes antes de irem para casa.

Notas:
1) Uma situação semelhante ocorreu em 2005 com Romeo. Foi interessante ver as semelhanças quando re-li o artigo. (Artigo do blog em Inglês, que não foi traduzido para este blog.)
2) Foi Misha que me deu um desenho para Natal no ano passado. Pode clicar aqui para ver uma foto tirada de mais perto. Agora que ele estava na casa de imprevisto, pedi que ele ficasse ao lado da sua obra para eu tirar uma foto. Ele ficou muito acanhado, mas no fim acordou, e aqui está:




Esta manhã, Misha me disse que estudou arte no liceu, pintura, desenho, escultura. Mas como não tinha dinheiro para continuar os estudos a nível superior, fez um curso profissional em soldadura, trabalho de que não gosta nada, mas foi o que podia encontrar. Eu oro que ele não somente continue a trazer no seu coração a Palavra de Deus, mas que Deus permita que ele possa exprimir o seu amor pela beleza e arte de alguma forma quando chegar em casa. Estou resignado ao facto de que provavelmente nunca vamos saber nesta vida o que acontecer na vida de Misha daqui para frente. Não será fácil para ele voltar a uma cultura fortemente ortodoxa e seguir a Bíblia, mas o entregámos ao Senhor para que Ele cuide de Misha. As suas orações são muito apreciadas.

Acusação Falsa

(Publicado em Inglês, no blog Facets of Madeira, em 27/12/07)

Chegámos em casa muito tarde na véspera de Natal (de facto, já eram 2 horas de manhã do dia 25), depois do culto na igreja com a cantata, seguido de um jantar (tipo consoada) em casa de José Carlos e Marcia. Quando fui ver o e-mail, descobri que não havia sinal DSL no router. Como ninguém iria fazer nada no Dia de Natal, e nós iríamos passar a tarde com outra família da igreja, só ontem (dia 26) liguei para Telepac. Após os testes todos---desligar isso, reconfigurar aquilo, e tentar fazer re-set---o técnico pronunciou a morte do meu router. Vão me enviar um outro, e até lá, estarei sem internet ou e-mail em casa. (Tenho de recorrer à ligação no escritório.)

Mas quase esperava ouvir do outro lado da linha: "Bem, é assim. A sua esposa nos ligou e pediu que desligássemos o seu serviço internet durante estes dias de festa. É a oferta de Natal dela. Boas Festas!" Na minha imaginação, eu estava a acusar Abbie falsamente; mesmo assim, fico na dúvida: se fosse verdade, a oferta dela seria para mim ou para si mesma?

12 Jan -- P.S. Depois de aguardar uns dias sem receber no novo router, liguei a Telepac, que informou que já não há este tipo de router em estoque. (A minha linha é RDIS e exige um router específico.) Só então me lembrei do modem que usava antes de receber o router sem fios...voilá! Ainda funciona, só que de momento, estou sem Wi-Fi em casa.

Pela boca de duas ou três testemunhas...

(Publicado em Inglês, no blog Facets of Madeira, em 21/12/07)

Embora tivesse oportunidade de escrever ontem, não expliquei a razão do longo silêncio das semanas anteriores. Há sempre a desculpa que toda a gente tem nesta época do ano, que andamos muito ocupados, e para nós, isto significa mais ensaios para a cantata de Natal, que o nosso coro pequeno vai cantar na noite do dia 24. O trabalho no consulado não tem sido muito exigente, embora esta semana houve a volta habitual do corpo consular para apresentar cumprimentos às entidades governamentais e militares. O que me prendeu, de facto, foi um trabalho de tradução maior do que inicialmente previsto, que me levou a trabalhar nele 85 horas em menos de 6 dias para poder fazer a entrega no prazo combinado. Aparentemente o cliente estava satisfeito com o trabalho...na outra semana enviou mais trabalho do mesmo, mas cerca de um terço do tamanho da primeira parte, e já aprendi a pedir um prazo mais longo, de modo que o stress neste trabalho não era tanto.

Aniversário... neste período de tempo, arranjei um dia para ficar mais velho. Agora posso me defender da acusação de ter 60 anos. Já não tenho. Houve cumprimentos de feliz aniversário daquelas pessoas que já sabemos que vão se lembrar...uma das primeiras mensagens era um e-mail da mãe. (Afinal, não seria ela que me conhece mais tempo do que qualquer outra pessoa?) E umas surpresas, também: um telefonema de um pastor nos EUA em Providence, RI, e um e-mail de Andriy, o médico ucraniano que viveu e trabalhou aqui durante 4 anos, mais ou menos. Voltou para a Ucrânia há 3 anos, e visitámo-lo e a sua família quando lá estivemos em 2005. Depois perdemos o contacto...até esta mensagem para os meus anos. Que alegria! Que surpresa! E a sua família cresceu também, além de se ter começado com a construção da sua própria casa. As notícias de Andriy foram uma oferta preciosíssima para o meu dia de anos.



Andriy a segurar Anushka, o mais novo membro da família. Claro, Bogdan e Iulianka cresceram muito desde a nossa visita lá.









O trabalho na casa tem sido lento, diz Andriy, porque ele mesmo é obrigado a refazer muito do trabalho. "Todos os bom mestres deixaram a Ucrância para trabalhar em outros países." Portanto, nos últimos 6 mêses, ele tem feito tudo sozinho, depois de sair do seu trabalho regular no central nuclear.







E o que tem isto a ver com o título acima?
Alguém que estava a falar com umas pessoas que conhecemos e com que tivemos contactos na obra missionária 25-30 anos atrás foi informado que naqueles primeiros anos o boato foi espalhado que eu era um agente da CIA que veio à Madeira como espião! Não é de admirar que foi difícil avançar na obra naquele tempo! E pensando naqueles tempos, não seria estranho que algumas pessoas assim pensassem. Quando chegámos em 1976, as forças da esquerda estavam ainda muito activas em Portugal depois da revolução de 1974 que derrubou o regime fascista. A regras muito rígidas do fascismo cederam não somente a um clima de liberdade, mas a um ambiente de libertinagem. Os passeios estavam cheios de mesas onde dois tipos de literatura, antes proíbidos, proliferaram: pornografia e propaganda comunista.

No dia 3 de Dezembro, marcámos o 31º aniversário da nossa chegada a uma ilha sobre a qual não sabíamos nada. Nem sequer tínhamos lugar reservado para passar a noite. Aterrámos às 20h30 e um senhor no aeroporto sugeriu uma pensão em Santa Cruz, a vila mais próxima. Na manhã seguinte, ao conhecer o nosso novo "lar", reparámos numa pequena barraca no quintal. Pintada vermelho, estava coberta de dizeres em amarelo. A sigla "MRPP" não significava nada para nós, mas o martelo e foice já era indício de alguma ligação comunista. Ficámos a saber que o irmão da dona da pensão era Arnaldo Matos, o líder do partido comunista-maoista, e que um mês e pouco antes da nossa chegada, estava envolvido nas primeiras eleições autómomas regionais depois da revolução de 25 de Abril. Quem diz que Deus não tem um sentido de humor? De todos os lugares onde poderíamos ter ficado nos primeiros dois meses na Madeira!

O facto curioso é que já é a segunda vez nos últimos meses que esta notícia chegou aos nossos ouvidos, da nossa suposta conexão "CIA". Ouvimos a história de uma fonte completamente diferente, mas de alguém que nos conheceu e que conheceu outros que eram nossos conhecidos no final dos anos 70 e início dos anos 80. Pela boca de duas ou três testemunhas, mandou a lei, seja toda a palavra confirmada. Por isso cremos que realmente houve estes boatos. Talvez isso explique porque alguns com quem procurámos trabalhar de repente "perderam interesse" na igreja e no evangelho. Então, vamos acrescentar "CIA" à lista dos rótulos que as pessoas colocaram em nós, no intúito de afastar pessoas do trabalho--- fomos acusados de ter trazido "uma religião do diabo" e de sermos "calvinistas"---mas este último é outra história para outra altura.

Uma Obsessão de Lavar os Dentes

(Publicado em Inglês, no blog Facets of Madeira, em 20/12/07)

5ª-feira de manhã. Hoje tive de me levantar mais cedo porque todas as 5ªs de manhã dou uma aula particular de Inglês antes de ir ao consulado. Um olho estava sempre no relógio, porque uma saída de casa atrasada em alguns minutos pode obrigar-me a uma viagem até ao Funchal que leve uns 20 minutos a mais (é assim, à sua própria maneira e à sua própria escala, o Funchal também tem engarrafamentos de hora de ponta). Estáva na hora de sair...em verdade, já deveria ter ido...mas senti um forte desejo irresistível de lavar os dentes. Por quê? Lavei-os antes de ir para a cama, e ainda não tinha comido nada desde que me levantei. Debati comigo mesmo: dentes lavados ou trânsito livre? Eu TINHA DE lavar os dentes, e a razão foi que---o meu aluno das 5ªs é o meu dentista.

Com um profundo sentido de dever, lavei os dentes, sabendo o tempo todo que o bom médico, que é amigo também, não iria verificar os meus dentes. Durante essa hora, ele está mais preocupado com a sua pronúncia de Inglês (o que sai da sua própria boca) do que com a minha higiene oral (a bactéria que poderia estar escondida na minha boca). Foi simplesmente a ideia de que estaria na presença do meu dentista que me fez gastar mais um minuto ou dois antes de sair de casa. E enquanto lavava os dentes, reflecti sobre esse sentimento de necessidade, e fiz uma aplicação espiritual. Um dia não vai ser perante o dentista que hei de comparecer, mas perante o próprio Senhor; com certeza, a minha maior preocupação não vai ser o estado dos meus dentes. O Salmista já sentiu o mesmo: "Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração..." (Sal. 24:3-4)

Senhor, põe em me sempre este desejo irresistível de manter o meu coração limpo e puro perante Ti.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Assistência no culto em russo cresce em 50%!

Bem, se a assistência regular é 2, só precisa mais uma pessoa para fazer um aumento de 50%, não é? Mas também, se a assistência normal é 2, mais 1 faz uma grande diferença. Afinal, não diexa de ser mais 50%!

Quando começámos os cultos em língua russa há 5 ou 6 anos atrás, chegámos a ter 13 ou 14 muitos Domingos, e 8 ou 9 era normal. Com a passagem do tempo, os trabalhadores voltaram às suas casas e famílias, geralmente na Ucrânia, mas em alguns casos, na Rússia, Belarússia, Moldava, ou uma das antigas Repúblicas Soviéticas, até ficarmos com um só casal, Petro e Lidiia, de Kiev. Há mais de um ano já, reunimo-nos todos os Domingos para cantar em Russo/Ucraniano, fazer uma leitura breve da palavra, e eles orarem em sua própria língua.

Então aconteceu esta semana o que menos esperávamos: chegou um e-mail de Svetlana ("Sveta"), dizendo que tinha mudado de S. Petersburgo para a Madeira, e soube que há uma igreja baptista aqui. Ela fala Inglês mas sente-se mais à vontade em sua língua materna, naturalmente. Ela viu no blog que temos culto em Russo e perguntou se era todas as semanas. Respondi ao seu e-mail, e ela veio ontem participar no culto em Russo. Segundo entendo, a mãe dela, também crente, vem passar Natal e o fim-de-ano aqui, e estará nos cultos também. A presença de Sveta encoraja-nos muito na reunião das 16h (que inclui a Abbie, que embora não fale Russo, tenho a certeza que entende mais do que nos deixa perceber---e ela toca o piano em Russo!).

Um outro ministério "pequeno" da igreja é a reunião na prisão cada Segunda-feira. A assistência varia aí, também, e o que era em certa altura um grupo de 12-15, agora é 5 or 6, quatro dos quais ucranianos. Nenhum deles que assiste tem feito um compromisso pessoal com Jesus, como nós evangélicos entendem deve ser. Os ucranianos todos vêm da tradição ortodoxa, por isso continuo a falar da importância de uma experiência transformadora do novo nascimento pela fé em Jesus Cristo. Semana após semana, no pouco tempo disponível, e apesar das barreiras culturais e linguísticas (para não falar das espirituais), pouco a pouco explicando, e pensando: quanto será está a penetrar nos seus corações e entendimento? E hoje, sem esperar, a pergunta de um deles: "Se eu tomar essa decisão, como vou saber que é real? Como posso ter a certeza que tenho uma nova vida?" Não sei quanto da minha resposta foi compreendido por eles hoje, mas o facto de ter sido feito a pergunta é sinal que alguma coisa registou: "O entendimento cresceu em 50%!" -- bem isso não é tão fácil medir como contar cabeças para registar a assistência, e não dá para fazer um gráfico do progresso de entendimento. Mas, quando o Espírito move, como disse Jesus, é algo que percebemos, tal como o vento que sopra, mesmo sem podermos o quantificar ou representar graficamente. O vento está a soprar.

domingo, novembro 18, 2007

Cenas de uma semana que já foi

Chegámos em casa na 2ª, e uns dois dias depois, Abbie disse logo de manhã, "Quem me dera estar de novo em Lisboa." Foi bom mesmo estar no continente, mas não conseguia imaginar que fosse tão bom assim. Mas, é que ela tinha dado uma olhada pela janela e viu o céu nublado, o que é comum aqui. Então, afinal não se sentia saudades de Lisboa, mas sim, do sol. De facto, o tempo foi perfeito nas duas viagens que fizemos. Nem sinal de nuvem no céu. Veja a foto do monumento do Marquês do Pombal.





O Marquês mandava quando o grande terramoto de 1 de Nov. de 1755 arrasou Lisboa. Ele tomou conta da reconstrução da cidade, com as suas avenidas largas e muitas rotundas. Também expulsou os jesuitas de Portugal, que talvez fosse um abalo sócio-político com a mesma magnitude da do terramoto.





A conferência de liderança foi uma grande benção para nós, e oramos que, com tempo, possamos transmitir algo daquilo que aprendemos aos líderes na igreja aqui. Durante a semana que estivemos no continente, fizemos alguns contactos que achamos interessantes e importantes, até.









Uma cena curiosa...profissão onde a experiência de circo seria um valor acrescentado
Como se vê ilustrado nesta foto, nestes dias de taxa de desemprego muito alta e de crise económica, quando se tem um emprego, o melhor é agarrar bem para não deixá-lo fugir, sobretudo se está a trabalhar em ou fora de um andar superior.

sábado, novembro 03, 2007

Sombras de Anjos e Reis



A última vez que escrevi, estávamos em Lisboa...e cá estamos de novo (e não "ainda"). Voltámos para casa para passar uns 10 dias, e depois tive que regressar para reuniões na embaixada novamente. No fim desta próxima semana, vamos participar numa conferência de liderança aqui antes de regressar para a Madeira. O tempo em casa foi tão curto e cheio de trabalho que não pus nada no blog, mas preparei um álbum com várias fotos, e lá encontrará alguns comentários (neste momento só em Inglês...sorry!) sobre o que fizemos e vimos naquela viagem, entre sombras de anjos e reis (e de alguns que nem eram um nem outro).

Em notícias da obra, Jackie e Jaime já seguiram para Inglaterra, onde vão ficar duas semanas antes de ir à Austrália. O dia antes de regressarmos à Madeira há 15 dias atrás, Alves, um membro da igreja que vive na ilha vizinha, o Porto Santo, sofreu um enfarte muito grave. As primeiras indicações eram que só tinha 1 chance em 6 de sobreviver. Já recuperou o suficiente para ter alta, mas ainda não pode regressar para o Porto Santo. Ele e a sua esposa, Lourdes, vão ficar em nossa casa esta semana enquanto ele recupera as suas forças. Alguns talvez recordem que, no ano de 1991, irmã Lourdes foi curada de um tumor que tinha atingido a medula espinal, deixando-a sem poder andar. Os médicos lhe deram 3 meses de vida. Orem que esta nova aflição seja usada por Deus para fortalecer este casal espiritualmente, e que a semente do Evangelho seja semeada no Porto Santo por causa disso.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Aqui estamos... mas onde, exactamente?

Demos o grande pulo, pelo menos o suficiente para assentar-nos em terras continentais. Houve umas reuniões na embaixada em Lisboa no fim da semana passada, e vamos ficar mais uma semana, em parte para férias, em parte para trabalhar. Há uma conferência de tradução no final desta semana (6ª e Sábado) que eu queria assistir.

Não preciso de mais trabalho, porém. Nas últimas duas semanas antes de sair de casa, já estava a rejeitar trabalhos, porque sabia que não teria tempo para os fazer. Mesmo assim, ainda passei as primeiras duas noites aqui em Lisboa trabalhando para poder entregar um trabalho. E esta semana já tive ocasião de recusar mais trabalhos, e os clientes querendo que eu os avise logo que estiver disponível outra vez!

Nada de traduções esta semana. Estamos aqui para relaxar (um pouco) e recarregar as nossas baterias espirituais. Foi-nos oferecido alojamento no Seminário Baptista em Queluz, nos arredores de Lisboa, e na 3ª-feira à noite o director do Seminário, Pr. Paulo Pascoal, me convidou a falar. Procurei desafiar os alunos a considerar o trabalho missionário pioneiro quando buscam a vontade de Deus acerca do seu ministério futuro.

Também tivemos a oportunidade de ir para o norte, cerca de 300 km, perto do Porto, onde Jackie e Jaime estão a ficar com uma irmã dela antes de ir à Austrália visitar outros familiares. Passámos o fim de semana com eles e demos um passeio ao longo do Douro...80 km??...estou adivinhando a distância que andámos antes de atravessar o rio e voltar pela outra margem. Aqui estão umas fotos que tirei, a maior parte através do vidro do carro em movimento, portanto, não são da mais alta nitidez, mas dá uma ideia do que vimos. Clique nas images para ampliar.



Os barcos que antes transportavam o vinho Porto pelo rio, hoje levam turistas entre as margens íngremes do Rio Douro.






Casas estreitas na margem norte do Douro, com a roupa estendida para secar no sol quente num tarde de Outubro.






A margem sul onde o rio é atravessado pela ponte desenhada pelo mesmo Eiffel que ficou famoso em Paris com uma torre.


Talvez uma folha amarela entre as verdes não seja nada muito especial para o leitor, mas como não vemos isso na Madeira, achámos interessante. As árvores na Madeira que perdem as folhas são uma minoria e a mudança de estação quase não se nota.

segunda-feira, setembro 24, 2007

30 Anos: Que Diferença!

Olhando para trás, não vamos dizer que os nossos 30 anos na Madeira passaram "no piscar de um olho". Muita coisa aconteceu; houve tantos processos em andamento. Mas é verdade que o tempo avançou imparável, e parece-nos ter apressado o ritmo da sua marcha. Quatro semanas já passaram desde a última vez que pus algo aqui no blog. Não foi culpa de uma coisa específica...antes, foi a combinação de todas as coisas em que nos envolvemos: o trabalho da igreja, os deveres no consulado, os prazos de entrega de traduções, e a necessidade de acabar projectos em curso na casa. A casa de banho está pronta (quase---ainda falta fazer mais um armário, mas não é essencial para o funcionamento da casa de banho), e com a ajuda de Gabriel e Stephen, consegui instalar umas caleiras para desviar as águas do telhado, que queria instalar há já uns anos.

In termos de traduções, estou a entrar num período de muito trabalho, pois tenho os textos referentes aos websites de dois museus para traduzir, além do livro da história do Funchal (400 p./40.000 palavras), que está a ser editado em Inglês para os 500 anos da cidade, que serão celebrados no próximo ano.

Actualização de notícias sobre Jackie e Jaime: Ainda estão no continente a visitar uma irmã dela, mas em breve planeiam visitar o filho, Sérgio, que acaba de mudar para Inglaterra com sua esposa e filha. Os planos além dessa visita ainda estão indefinidos. Esta é uma foto recente deles com a neta, Lara, tirada numa praia no norte de Portugal. Quanto a notícias sobre o estado de saúde de Jackie, até ao momento não parece haver nenhuma novidade, nem tratamento iniciado para os seus problemas. Continuamos em oração.

A nova pintura da casa nos levou a procurar fotos da casa como ela era quando a comprámos em 1977. Creio que a maioria das pessoas logo encontrarão "as 7 diferenças" entre as fotos, sem grande dificuldade. (Fazer clique em qualquer imagem para ampliar a foto.)




A casa vista de cima.










































A casa vista de baixo.
























































Há fotos tipo "antes e depois" tiradas dentro da casa, mas estas ficarão para a próxima oportunidade. Entretanto, não queria deixar de compartilhar estas duas fotos, a primeira tirada em 1981, quando organizámos a igreja. (Sou eu, à esquerda, no fato reluzente...que toque de classe, heim? O outro pregador é Pr. Raleigh Campbell, missionário que veio das Canárias para ajudar na organização da igreja.) A outra foto foi tirada uns poucos meses atrás, na ocasião do 35º aniversário de casamento de Jackie e Jaime, uns dias antes de sair para o continente.


















Pelas vistas, não foi só a casa que embranqueceu nos últimos 30 anos.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Mais perto, tão longe


Duas semanas atrás já tínhamos ultrapassado a fase da obra mais suja e deprimente mostrada nesta foto. Os azulejos e o pavimento da nova casa de banho já estavam assentados e a cabine de duche estava funcional; as boas novas eram que já não pingava água na cozinha do vizinho em baixo...mas a água corria pela nossa casa de banho quando tomámos duche. Por fim (depois de mais três "visitas a domicílio" pelo Senhor Doutor Canalizador) este problema também foi resolvido. MAS...depois ficámos a saber que mais ou menos na altura quando esta foto foi tirada, o rapaz que usava o martelo eléctrico para arrancar o chão e recolocar os tubos do esgoto furou um tubo de luz no tecto do apartamento em baixo. Cortou um dos fios, e o tubo em si era tão danificado e depois encheu-se de massa de tal maneira que não dá para passar novos fios. Já tentei ligar para o empreiteiro, mas ele não atende ao telefone, nem responde ao SMS que enviei... Espero que da próxima vez que escrevo aqui, o projecto da casa de banho não seja ainda notícias. Notícia seria que o empreiteiro viesse logo reparar os danos causados.


Pelo lado mais positivo, Gabriel e seu irmão Stephen têm ajudado com obras aqui em casa, pintando os muros em volta da casa. Já fazia alguns anos desde a última pintura e era bem preciso. Fabio também veio e ajudou durante duas semanas, também.




Há mais fotos aqui.


Estas outras fotos de Stephen e o seu irmão Michael e Fabio foram tiradas no passeio da igreja Sábado.


























Para saber mais sobre a história dessas fotos, pode ir até ao album com as fotos do passeio da igreja, que inclui esta foto interessante:



O tempo estava óptimo, embora esta foto levaria à conclusão que o frio tinha atacado às mãos dos irmãos.

Foi bom ter connosco o Pastor Paulo Pascoal (em baixo, com José Carlos) e a sua família, que estão a passar as suas férias na Madeira este ano. O Pastor é director do Seminário Teológico Baptista em Queluz, perto de Lisboa.



Outras fotos do passeio podem ser vistas aqui. O tempo foi bom...tanto no sentido do clima, como o convívio que houve com os irmãos. É bom saber que o convívio do Corpo de Cristo não é só na hora do culto no templo, assim como que o convívio experimentado em ocasiões como neste passeio não se resume à comida e ao ambiente agradável da serra. Por ser do Espírito Santo, a comunhão é uma constante, e independente das circunstâncias.

domingo, agosto 12, 2007

41

Neste dia, há um ano, celebrámos o nosso 40º aniversário de casamento. Isto significa que hoje é: Domingo. Não houve nenhumas comemorações especiais; passámos o dia na casa do Senhor com o povo de Deus, compartilhando suas vitórias e tribulações.

Jackie e Jaime estão no continente. Completaram a sua mudança da Madeira, e de momento estão com a irmã da Jackie na zona do Porto. Ela levou os resultados a um médico lá, que disse praticamente a mesma coisa que o médico daqui disse: não há nada que possam fazer, e tomar mais medicamentos está fora da questão. Em termos simples: as células do seu corpo estão a morrer. Os médicos não sabem dizer por quê isso acontece, mas os rins e o fígado estão piorando. Este é somente o início de uma lista de problemas que ela tem. A única receita do médico: leve uma vida calma, coma comida simples e saudável, e acima de tudo, evite o stress. Os médicos desistiram, mas o povo de Deus continua fazendo o que está dentro do seu alcance ao orar por ela.

Tânia foi ao continente umas semanas atrás para ter radiocirurgia no Porto para tratar de tumores no cerebro. Mesmo antes de ir, ela disse que sabia que Deus tinha tocado nela. Quando chegou no Porto, os médicos fizeram exames e não encontraram nada, e lhe disseram para voltar para casa. Ela estava no culto hoje e pediu oportunidade para ser baptizada e para dar o seu testemunho. A data mais provável deve ser no princípio de Setembro quando a maioria dos nossos irmãos estiverem já de regresso das suas férias.

Uma das razões de não escrever recentemente são as obras em casa. O vizinho de baixo queixava-se de água a pingar na sua cozinha, vindo da nossa casa de banho. Finalmente determinámos que o problema estava debaixo da banheira. Tirar a banheira implicava substituir os azulejos e o pavimento, e para já, decidimos pôr uma cabine de duche em vez da banheira. Durante mais de uma semana sofremos com a poeira, o cimento, e a inconveniência de estar sem o uso da casa de banho principal. Finalmente, a fase poeirenta passou. Infelizmente, parece que saímos da seca para entrarmos nas inundações. O canalizador não pôs o silicone onde e como devia e a água correu para todo o lado da casa de banho. Depois de ser chamado de volta para rectificar a instalação de uma parte, verificámos que embora ajudasse o problema, não resolveu-o. Ainda há alguma zona que não está vedada como deve ser. Portanto, amanhã (outra vez!) o canalizador estará aqui para terminar a obra. Se há um lado positivo em toda esta história deve ser o facto do vizinho em baixo não ter batido na nossa porta a queixar-se de água a pingar na sua cozinha. Bem, já é progresso.

sábado, julho 14, 2007

A propósito de um comentário

Da última vez, deixei um link para um artigo de notícias, mas sem comentário. Já que Albert Mohler, da Convenção Baptista do Sul, publicou um comentário sobre a notícia do Vaticano, vou deixar que ele faça o trabalho. Pena, mas vou ter de deixá-lo em Inglês (a tradução envolve direitos, etc.). E quanto à notícia aparecer na imprensa aqui na Madeira, até agora nada. Não sei se já saiu no continente. Tem de aparecer mais cedo ou mais tarde, tal como a reintrodução do uso de Latim na missa.

Eu entitulei o meu artigo "Surpreendido? Eu não..." Al Mohler entitulou o seu, "No, I'm not offended" ("Não, não estou ofendido"). Não se sente ofendido, diz ele, porque, "em segundo lugar, não estou surpreendido."

LOUISVILLE, Ky. (BP)--Aren't you offended? That is the question many evangelicals are being asked in the wake of a recent document released by the Vatican. The document declares that the Roman Catholic Church is the only true church -- or, in words the Vatican would prefer to use, the only institutional form in which the Church of Christ subsists.

No, I am not offended. In the first place, I am not offended because this is not an issue in which emotion should play a key role. This is a theological question, and our response should be theological, not emotional. Secondly, I am not offended because I am not surprised. (mais)

quarta-feira, julho 11, 2007

Surpreendido? Eu não...

No site de CNN hoje:

Vatican: Non-Catholics 'wounded' by not recognizing pope

Não vou traduzir. Há de aparecer na imprensa em Portugal; se não, será de estranhar, mesmo.

Sem mais comentário. Por enquanto.